sábado, 15 de agosto de 2015

Qual a diferença entre assistir e viver?
  
   Nos tempos atuais a Santa Mãe Igreja sofre com um sério problema, a superficialidade da fé católica, isso tem atormentado á muitos anos os líderes, fazendo desse tema, um grande alerta que poucos escutam atentamente com o desejo de buscar um algo a mais. Entramos em um tempo que já está bom de mais sair da minha casa no domingo e assistir a Santa Missa em minha paróquia, pronto, o meu esforço já foi feito para Deus essa semana, sou católico!
   A Santa Missa é o ápice da fé católica, e ela não deve ser negligenciada com abusos litúrgicos, nós como católicos devemos saber como se comportar diante do calvário que está bem na nossa frente. Mas a maioria dos nossos irmão não possuem essa consciência da preservação e do respeito á liturgia. É claro que devemos alertar de forma cuidadosa os nossos irmãos, sempre explicando o porque de cada ato realizado. Mas quem somos nós para exortar alguém ? Alguém que respeita os costumes de certa região e que aos poucos pode alertar com cuidado e amor, um caminho mais correto de se viver.
   Daí começamos a perceber a diferença entre assistir e viver, para assistir temos muitas outras coisas como os teatros e a própria televisão, mas a fé merece ser vivida com amor e alegria, não podemos viver um Deus apenas no domingo e os outros dias servirem para postar nas redes sociais mensagens belas e correntes que não possuem nenhum embasamento na fé que professamos. A igreja católica precisa de fieis não pelo dinheiro, não pela classe social, muito menos pela cor da pele e qualquer outra coisa, o tipo de fiel que a igreja católica necessita, são de homens e mulheres dispostos a largar os lugares de telespectadores e começarem a participar da fé com verdade, homens e mulheres capazes de negar a carne, mas saber explicar o porque da negação ao desejo, saber negar o luxo, a ostentação e lembrar dos mais pobres que sofrem nas portas dos templos.
   Católicos que são capazes de aplaudir o Papa Francisco, de achar bonito o seu trabalho e seu testemunho, juntamente com as suas propostas e ideias, mas de não aplicarem aquilo que admiram no líder em suas vidas, pois quando falamos de dinheiro a cara muda, o discurso foge, o rosto vira, porque não deixar de jantar em um lugar sofisticado uma vez por semana, comer do mais simples e pegar esse dinheiro “economizado” e dá de comer para o mais pobre, se não tem o dinheiro isso não é problema, dê a sua atenção, pois a cena mais comum nos tempos de hoje são homens e mulheres que entram na igreja, sem olhar para  doente que estende a mão logo na porta de entrada.

   Viver o todo, não basta viver apenas a parte que convém, ou nos decidimos a sair da mesmice de apenas um dia na semana, ou continuaremos a viver uma fé de faixada, que é muito bom para a família, para os amigos, lindo para o face, mas que não é capaz de mudar nada em sua vida. Muitos querem sentir algo novo experimentar algo a mais de Deus, e porque não buscar na sua Palavra, na Comunhão construir uma resposta simples e direta, o SIM , um sim verdadeiro e em busca de uma fé vivida, uma fé que saia do superficial e que mergulhe em águas profundas.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Feminilidade


Ao longo dos anos, a mulher tem lutado para ter seu espaço na sociedade. Muitas destas lutas vieram dos movimentos feministas que assumiram diversas bandeiras no correr da história. A primeira expressão de reivindicações surgiu quase que de forma simultânea na França, no Reino Unido e nos Estados Unidos, entre os séculos XIX e XX, com as “sufragistas”, movimento que defendia o direito de voto das mulheres.
Ainda nesta primeira onda, o feminismo propõe um certo antagonismo ao homem e à sociedade patriarcal. Começa a surgir uma rivalidade entre os sexos, quando a identidade de um passa a ser perigo para o outro. O feminismo começa, então, a assumir uma relação de poder entre os sexos¹.
Somos uma juventude que colhe os frutos amargos do feminismo. A origem desse movimento era positiva: alcançar os direitos da mulher. Qual problema da mulher ser bem remunerada, ter o direito de votar e conquistar seu espaço na sociedade? Nenhum! Afinal homem e mulher têm a mesma dignidade perante Deus, pois ambos foram criados à sua imagem e semelhança.

O problema está na forma como esse movimento foi alcançando tais resultados. Um movimento que poderia construir uma sociedade mais justa e fraterna foi criando uma rivalidade entre o homem e a mulher. A mulher para conquistar seu espaço foi agredindo a dignidade do homem e se agredindo na medida em que ia assumindo uma postura e comportamento contrários a sua missão inicial, em sua criação!²

Desta forma, nos lembra o Cardeal Joseph Ratzinger:

“Qualquer perspectiva que pretenda se propor como luta dos sexos, não passa de uma ilusão e perigo, pois desembocaria em situações de segregação e de competição entre homens e mulheres, promovendo um solipsismo que se nutre de uma falsa concepção da liberdade.”

Hoje em dia as mulheres não se preocupam em ser femininas, e sim feministas. Se uma mulher tem pensamentos diferentes do feminismo e quer viver sua vida dentro dos ensinamentos bíblicos, ela acaba sendo encarada como um ET. A sociedade hoje incentiva a mulher a competir com o homem e a ser independente. Além dos exageros com a imagem e ao incentivo a sensualidade, a sociedade se condicionou a viver em um duelo Homem X Mulher. 

É preciso resgatar, acima de tudo, o valor da mulher como portadora da imagem de Deus (Gn 1, 26) e o papel dela no contexto da criação: ajudar o homem a sair de uma condição da qual era impossível ele sair sozinho – sua solidão existencial.

“O feminismo foi criando na mulher uma autossuficiência, como se ela não precisasse do homem nem para ter filhos; mas nós sabemos que a grande desgraça da autossuficiência é que ela fecha a pessoa para o amor”, diz Emmir Nogueira, formadora geral da Comunidade Shalom.

A feminilidade é uma realidade projetada e criada por Deus - seu dom precioso a toda mulher - e, sob um aspecto diferente, um gracioso presente também para os homens. Nem o homem nem a mulher são suficientes para abrigar, sozinhos, a imagem divina (Gn 1, 27). Os dois juntos, no entanto representam a imagem de Deus. Ao criar a mulher Deus se preocupou em fazê-la especial e complementar ao homem e, para isso, concedeu a ela o dom da feminilidade.

A submissão é o ingrediente da feminilidade. Mas não me venha jogar pedras! Compreenda o sentido dessa submissão... Como noiva, a mulher no casamento abre mão da sua independência, sou convidada a me doar, a não ser mais egoísta, mas a caminhar em dupla. Não tomar mais decisões pautadas apenas nas minhas vontades, mas a pensar no meu par, naquele que um dia eu disse pra mim mesma que era o cara digno de passar o resto dos dias ao meu lado. Sou convidada ainda a acrescentar um sobrenome, a mudar o meu endereço, e, por ultimo no quarto nupcial, abro o meu corpo para o noivo. Como mãe, eu abro mão, no real sentido, da própria vida em beneficio do filho. Não é uma submissão que me desmerece! Não! Eu possuo um valor incrível quando aprendo a desfazer de mim para amar o outro. Foi o que Jesus me ensinou, do alto da cruz...

A feminilidade é receptiva. Ela aceita o que Deus lhe dá, seguindo o exemplo de Maria (Lc 1, 38), e não insistir no que não lhes é dado, repetindo o engano de Eva (Gn 3, 1-6). A missão da mulher é afetar a sociedade por meio da influência da família. Sabe, ser feminina não é apenas o que somos, também é o que fazemos. Nossa identidade feminina vem com uma tarefa singular: mudar o mundo. Mudar o mundo através dos nossos filhos ou daqueles que Deus colocar em nosso caminho. Somos chamadas a educar, a amar, com brandura corrigir, orientar. Passar valores. Mostrar aos que nos cercam com a docilidade que nos é típica os caminhos para uma sociedade justa e caridosa.

Ensina o Papa São João Paulo II: "Quando dizemos que a mulher é aquela que recebe amor para, por sua vez, amar, não entendemos só ou antes de tudo a relação esponsal específica do matrimônio. Entendemos algo mais universal, fundado no próprio fato de ser mulher no conjunto das relações interpessoais, que nas formas mais diversas estruturam a convivência e a colaboração entre as pessoas, homens e mulheres. Neste contexto, amplo e diversificado, a mulher representa um valor particular como pessoa humana e, ao mesmo tempo, como pessoa concreta, pelo fato da sua feminilidade. Isto se refere a todas as mulheres e a cada uma delas, independentemente do contexto cultural em que cada uma se encontra e das suas características espirituais, psíquicas e corporais, como, por exemplo, a idade, a instrução, a saúde, o trabalho, o fato de ser casada ou solteira." (Mulieris Dignitatem, 29)

O desafio da feminilidade é que você seja uma mulher realmente santa. A feminilidade é característica da alma feminina, que faz parte do projeto de Deus. É um tesouro a ser guardado e acalentado a cada dia. 


Que Maria, exemplo maior de mulher, nos ensine a verdadeira feminilidade. Que possamos, como ela, sermos fortes e capazes de mudar a história, com docilidade, brandura e amor infinito.


Texto baseado em:
1 - O feminismo e a luta dos sexos [http://destrave.cancaonova.com/o-feminismo-e-a-luta-dos-sexos/]
2- Você sabe o que é Feminismo? [http://blog.cancaonova.com/revolucaojesus/2012/01/23/voce-sabe-o-que-e-feminismo/]

sábado, 1 de agosto de 2015

Um Deus que se senta e espera para tomar café


   


  Nos últimos tempos estamos desenhando uma imagem de Deus que tem que ser clamado muitas vezes para ser presente, um Deus teimoso onde devemos ir ao templo várias vezes para atender as nossas preces, um Deus não com problema de memória[1] e sim com problema de audição.
   Essa imagem a cada dia mais é reafirmada pela nossa forma de fé, onde procuramos respostas imediatas para os nossos conflitos, sem saber esperar o tempo de Deus. O nosso Deus não é um juiz de futebol que  é capaz de mudar sua opinião através do grito, é capaz de mudar a opinião com uma indagação, como fez aquela mulher que tinha sua filha para ser curada[2] ...
   E a cada dia que passa, associamos a figura de Deus ao templo, é óbvio que ele está no templo, mas é tão claro a sua presença em uma mesa onde se espera um café, por que não estaria sentado tomando um café? Acha mesmo que ele prefere roupas de gala e um trono confortável, um Deus que se acostumou com a Cruz, a cruz das nossas incertezas por ele.  Apenas se senta para estar e dar algumas direções, com um olhar sempre mais amplo que no nosso, sempre no necessário, sempre para o outro.
   A imagem de um Deus belo por fisionomia, pode até ser retratada muitas vezes com o nosso padrão de beleza estabelecido, mas qual era a cor da pele dos olhos de Jesus? Da mesma cor daquele que recebe seu consolo, pois ele se senta conosco todos os dias para apreciar um bom café, ele até nos acorda: -Anda meu filho, hora do trabalho.... Hora de estudar menino, apronta o café para tomarmos juntos, para celebrar mais um dia comigo.
   Muitas vezes ele espera até o jantar, mas ninguém o percebe, nem na hora do café, pois ninguém o serviu. O que temos deixado para Jesus: uma xícara limpa e um café pronto, ou o resto do pó a espera que ele lave toda a sujeira ?
Cappuccino ou Expresso ?




[1] Capítulo do livro Só por causa de um cabrito (Um Deus com problema de memória).
[2] Cura da filha de uma mulher cananeia, Mt 15,21-28