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quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Ensinando o Método de Ovulação Billings - MOB (Parte 3)

Continuando...

A Fase Lútea
Figura 9 ilustra a fase lútea do ciclo, onde, desde o quarto dia depois do Ápice (o último dia de sensação escorregadia na vulva), a cérvix é fechada com um muco espesso, evitando que os espermatozóides entrem na cavidade do útero. O corpo lúteo está no ovário produzindo ambos, estrógeno e progesterona. Se não houver contato genital, desde o início do primeiro ponto de mudança até o início do quarto dia após o Ápice, o óvulo não será fertilizado e se desintegrará na trompas uterinas.



A menstruação (Figura 10) anuncia o final do ciclo, normalmente 11-16 dias depois da ovulação, e o início do ciclo seguinte. O tampão deixou a cérvix para permitir passagem do sangue do útero para fora. Os ovários regressaram agora a seu estado de repouso.



Ovulação atrasada – A fase pré-ovulatória longa e o padrão básico de infertilidade
A ovulação é amiúde atrasada em tempos de estresse, durante a amamentação e na pré-menopausa. O conceito de Padrão Básico de Infertilidade é um elemento essencial do Método de Ovulação Billings. O reconhecimento deste padrão, sem mudança da infertilidade pré-ovulatória, permite liberdade para relações, sem conceber, na fase pré-ovulatória, sem importar quão longo ou curto possa ser.

O Padrão Básico de Infertilidade é um padrão sem mudança, observado pelo período de pelo menos duas semanas. Seria:
  1. nada de fluxo (secura vulvar); ou
  2. um fluxo sem mudança na vulva, que acompanha um baixo nível sem mudança de estrógeno; ou
  3. uma combinação de (1) e (2) quando a descarga permanece sem mudança, durante 2 semanas de observação e é interrompida por dias secos.
O Padrão Básico de Infertilidade com fluxo, nos exemplos (2) e (3), é de origem vaginal. Quando os estrógenos sobem suficientemente para causar uma resposta cervical, o padrão muda e significa possível fertilidade. O aumento e a queda dos estrógenos podem provocar uma resposta endometrial com sangramento, seja sangramento de rompimento ou de privação.
As Regras dos Primeiros Dias (ver adiante), aplicadas ao padrão básico de infertilidade, proporcionam segurança no Método de Ovulação Billings, e asseguram o reconhecimento do retorno da fertilidade, no caso de ovulação atrasada devido a qualquer causa.
Falha Cervical e o Padrão Básico de Infertilidade
A cérvix precisa produzir um muco adequado para o bom funcionamento dos espermatozóides. Em algumas circunstâncias, por exemplo, aproximação (ou chegada) da menopausa, pós medicação contraceptiva, a cérvix falha ao responder ao estimulo estrogênico com conseqüente falha de liberação de muco receptivo aos espermatozóides. A mulher está então infértil, mesmo se estiver ovulando. Ela deverá reconhecer isto como um padrão sem alteração, isto é.
  1. PBI de secura,
  2. um fluxo sem mudança, ou
  3. uma combinação de ambos seco e um fluxo sem mudança.
Se aplicam as Regras dos Primeiros Dias, permitindo o reconhecimento de qualquer retorno da fertilidade.
As Regras do Método de Ovulação Billings
  1. Para conseguir a gravidez:
Aplique as Regras dos Primeiros Dias. Isto a torna capaz de reconhecer a mudança do padrão fértil de muco. Retarde a relação até que apareça o muco escorregadio. Os dias seguintes são os mais férteis. Daí que as relações deverão ocorrer enquanto o muco escorregadio é sentido e por um ou dois dias pós Ápice.
  1. Para evitar a gravidez:
    1. As Regras dos Primeiros Dias e
    2. A Regra do Ápice
são aplicadas. Estas regras são como segue:
As Regras dos Primeiros Dias
Regra 1: Evite as relações nos dias de forte sangramento durante a menstruação.
Regra 2: Noites alternadas são disponíveis para relações quando estes dias forem reconhecidos como inférteis (Padrão Básico de Infertilidade).
Regra 3: Evite as relações em qualquer dia de muco ou sangramento que interrompa o Padrão Básico de Infertilidade. Permita três dias de PBI depois, antes de reiniciar as relações na noite do 4º dia. Regra 2 continua.
A Regra do Ápice
Quando o Ápice e identificado, seguindo uma mudança do PBI, a Regra do ápice e aplicada. Desde o inicio do quarto dia apos o Ápice até o final do ciclo, a relação sexual é disponível cada dia, a qualquer hora.
Importância do Gráfico
Se estas indicações são aplicadas, o casal pode esperar 99% de êxito em evitar a gravidez.
A anotação diária é importante para recordar à mulher para prestar atenção ao sinal do muco, a cada dia.
O registro dá valiosa informação ao marido, para que ele e sua esposa possam discutir as possibilidades, e juntos, decidir quando trarão ao mundo seu primeiro ou seguinte nenê. Desta forma uma forte e amorosa comunicação se estabelece entre eles, e o bebê é bem vindo e amado.

Legendas para Selos e Símbolos
As legendas para os vários selos coloridos símbolos usados nos gráficos seguem abaixo:

RECOMENDA-SE QUE SE PROCURE UM INSTRUTOR HABILITADO.
Cada ciclo tem o seu padrão. Não espere que um ciclo seja igual ao outro. Se qualquer dúvida ou dificuldade aparecer, procure um instrutor do Método de Ovulação Billings. Enquanto você está aprendendo o Método, revisões do gráfico são recomendadas a cada duas a quatro semanas. Para localizar o instrutor mais perto de você ou para outras dúvidas, entre em contato com a CENPLAFAM – WOOMB BRASIL

Fontes: 
http://www.billingsmethod.org/bom/lit/teach/index.html
http://www.fertilitypinpoint.com
http://www.thebillingsovulationmethod.org
http://www.cenplafam.com/portal/mob/

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Ensinando o Método de Ovulação Billings - MOB (Parte 1)

Introdução
Durante os dias que levam à ovulação, o muco cervical sai da vagina quando a mulher está na posição de pé e se move. O muco é observado na vulva:
  1. Pela mudança de sensações na vulva ao longo do dia.
  2. Pela inspeção direta do muco que é visível, de tempo em tempo.
O registro destas observações se faz no final do dia. O registro revela os padrões de infertilidade e fertilidade.
O padrão de fertilidade é um padrão que muda. O padrão de infertilidade é um padrão sem mudanças. Estes dois são conseqüências de padrões hormonais que controlam a sobrevivência espermática e a concepção e, portanto, proporcionam informação confiável para conseguir ou espaçar a gravidez.
A anatomia do sistema reprodutor feminino é ilustrada na Figura 1. As partes importantes para observar são:
  1. a cavidade do útero onde o bebê se desenvolve durante 9 meses;
  2. o cérvix que produz o muco, responsável pela vitalidade e saúde das células espermáticas;
  3. a vagina; as Bolsas de Shaw;
  4. a vulva que sente a presença do muco que flui desde a vagina;
  5. os ovários contém o complemento cheio de células ováricas. Os folículos, nos ovários, produzem os hormônios que são responsáveis pelo crescimento do endométrio e sua preparação para a gravidez, a ativação do cérvix e a produção do muco, e as mudanças cíclicas na função da vagina e das trompas uterinas.
A fertilidade depende de:
  1. Uma ovulação satisfatória.
  2. Trompas uterinas saudáveis que permitam a passagem das células espermáticas para a união com o óvulo e, em seguida, protege e ajuda o embrião a prosseguir em direção à cavidade do útero para sua implantação.
  3. Um endométrio saudável para a implantação.
  4. Uma função cervical adequada para produzir muco, o qual capacitará as células espermáticas saudáveis para navegarem no conduto genital.
  5. Harmonia emocional entre o esposo e a esposa é também essencial.
Figura 1. Os órgãos reprodutivos feminino.



Fazendo um Registro
Um registro diário das observações feitas na vulva é essencial no MOB. O registro das características mais férteis, notadas durante o dia, se faz à noite. O primeiro registro, o qual se inicia imediatamente, é usualmente de 2-4 semanas de duração e se faz sem nenhum contato genital, para que as observações não sejam confundidas com nenhuma secreção devida às relações ou contato genital. O gráfico resultante proporciona informação ao esposo e a oportunidade de comunicar-se e tomar decisões. Não devem ser feitos exames internos, já que isso pode confundir. Usam-se selos de cores ou símbolos para fazer os registros e, sob cada selo, uma ou duas palavras são escritas, as quais descrevem a sensação na vulva e a aparência do muco.
Uma pergunta de grande ajuda para uma mulher ansiosa é: como é que ela sabe quando vem sua menstruação. Ela admitirá, rapidamente, que sente e vê o sangramento quando chega à vulva. O evento é registrado com um selo vermelho ou com o símbolo ●.
As observações de sensação e aparência serão aplicadas então a todas as demais observações que a mulher faz na vulva. Conforme os dias passam, ela reconhecerá seus padrões de fertilidade e infertilidade, de acordo com os padrões do muco.
(Sangramento abundante obscurece o muco quando a ovulação é precoce)

Regra 1: Evite as relações nos dias de forte sangramento durante a menstruação.



 Depois da menstruação, a cérvix é bloqueada com um tampão de muco espesso, denso, o qual evita a passagem das células espermáticas dentro da cérvix, e também protege o corpo de uma infecção. As células espermáticas que são mantidas fora da vagina, muito rapidamente, tornam-se incapazes de fertilizar o óvulo e são destruídas pelas células ao redor.
Os ovários estão em repouso neste período. Não há nada saindo da cérvix e sente-se a vulva seca. Não se sente nada nem se vê nada. O registro desta observação se faz com um selo verde (ou marrom) ou com o símbolo |.

Depois das relações, a descarga de líquido seminal desde a vagina pode durar até 24 horas e ser sentido como algo molhado na vulva. Este líquido seminal não contém células espermáticas vivas.Elas foram destruídas na primeira ou na segunda hora, na vagina, quando o cérvix evita que entrem no útero.
Continua...

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Conhecendo o MOB - Parte I



1 - Aprender o MOB
Aprender o MOB é muito fácil. Bastará tão somente que a mulher saiba dialogar com o seu próprio corpo, ficando sempre atenta aos sinais de que ele emite através da visão do muco e da sensação de secura ou umidade na vulva que este produz.
Uma dica para facilitar esse diálogo é a mulher  perguntar-se sempre:
-       Como sinto minha vulva agora?
O corpo emite sinais claros no tempo que antecede a ovulação, permitindo a mulher sentir-se segura na sua observação. No entanto, algumas mulheres sentem-se ansiosas ao iniciar o método, porque temem não conseguirem ter percepção alguma. Um exemplo fácil a ser aplicado neste caso, é o início da menstruação, a vulva neste período não está seca, a sensação que a mulher refere é de molhada ou de algo pegajoso e o sangue é visível, mas cabe salietar que a sensação da vulva molhada antecede  a visualização do sangue. A sensação na vulva é o evento  mais importante, garantindo o aprendizado a todas as mulheres, inclusive as deficientes visuais.

2 - Materiais Necessários
-    Caneta ou lápis de cor.
-    Papel para registro do gráfico.
-    Suas observações.

3 - Como realizar as observações
As observações são realizadas ao longo do dia, durante as atividades habituais: trabalhar, andar, praticar exercícios. Na posição em pé e com a movimentação do corpo, o muco cervical deixa o canal vaginal, alterando a sensação na vulva, porém é importante lembrar que nem sempre o muco é visível.  A mulher identifica a sensação na vulva e posteriormente realiza a inspeção do muco se possível. Não devem ser realizados exames internos, já que a  vagina é sempre molhada e essa atitude pode ocasionar confusão. O muco deve ser  visualizado  naturalmente, na roupa íntima, ao higienizar-se e/ou durante as eliminações fisiológicas.
A mulher se mantém em sintonia com seu corpo, tornando-se automático e harmônico memorizar as mudaças que ocorrem, para posteriormente anotá-las.

 4 - Registro do gráfico
Um registro diário é essencial no MOB, pois facilita o reconhecimento  dos sinais da fertilidade, tornando a mulher apta e segura.
As anotações das observações são realizadas a noite, já que a sensação na vulva pode ser alterada ao longo do dia.
Foi desenvolvido um registro padrão de cores ou símbolos para recordação das observações. Manter as anotações destas torna-se rapidamente algo natural.
O registro é muito simples, requer apenas que pinte ou marque  no gráfico, a cor ou símbolo apropriado, depois escreva duas ou três palavras que descrevam a sensação produzida pelo muco e sua aparência. O importante é anotar sempre a mesma palavra para descrever a mesma sensação e aparência, estas possibilitam informações precisas do ciclo. 
A medida que passam os dias, a mulher familiariza-se com suas anotações. O seu padrão de muco e as sensações que estes produzem em ciclos normais, começam a ser identificados. Caso exista alguma alteração no ciclo, como retardo ou adiantamento da ovulação, rapidamente esta também já pode ser reconhecida. As alterações no ciclo mais comuns são por: estresse, amamentação, pré-menopausa e interrupção da medicação hormonal.

5 - Quando iniciar o registro
Muitas mulheres acreditam que o primeiro registro deve acontecer no primeiro dia da menstruação, esta é uma prática equivocada e sem necessidade. O primeiro registro se inicia imediatamente após a aprendizagem (ítem 6), e sua duração para avaliação é usualmente de duas a quatro semanas. Neste período orienta-se a mulher ou o casal a abster-se de todo contato genital, chamado de silêncio genital, desta forma as observações não são prejudicadas pela secreção proveniente da relação e contato genital, que podem retardar o aprendizado.
A partir deste período, informações valiosas do ciclo menstrual serão identificadas, permitindo o reconhecimento de quando se está potencialmente fértil e quando se está infértil.
A familiarização com as observacões, anotações e a consulta com um instrutor licenciado, tornarão a mulher mais segura.

6 - Observações na vulva
Sensação – esta é a observação mais importante.
Toda mulher experimenta alguma sensacão na vulva. O muco cervical necessariamente produz uma sensação ao deixar o canal vaginal, que ao longo do dia, nas atividades diárias, a mulher o observa, ou pode ser treinada a observar. Esta pode ser de secura (nenhuma sensação) ou de molhada.

Os termos habitualmente utilizados são:
-       Seca – nenhuma sensação
-       Molhada – esta sensação é  variável, de acordo com o momento do ciclo menstrual. Existem duas  sensações experiementadas específicas, a mulher não se sente seca, descrita como algo pegajoso, molhada/pegajosa, e a sensação de algo que molha, descrita como algo que é escorregadio na vulva, molhada/lubrificada ou molhada/escorregadia.

Aparência – Ao sentir a presença do muco e se possível observação visual. Os termos habitualmente utilizados são:
-       Cor - opaco, turvo, claro, transparente, borra(quando está manchado de sangue), presença de fios.
-       Fluidez -   espesso, grosso, aquoso, fino
-       Quantidade – pouca, média e grande.

O fator quantidade é muito variável, pois é dependente da produção de muco de cada mulher.
A mulher não deve se apegar a essas descrições, pois são somente sugestões. Utilizar suas próprias palavras a cerca das sensações e aparência do muco, podem facilitar a observação, aprendizado e segurança, que posteriormente serão utilizadas no registro.
A descrição não precisa ter sentido para outras pessoas, simplesmente devem ser anotadas e posteriormente explicadas para uma instrutora qualificada.
Cabe relatar, que muitas mulheres, ao receberem as informações básicas do MOB, surpreendem-se nas anotações iniciais, pelas diferentes sensações observadas e de como o diálogo com seu corpo é verdadeiro.

[Continua...]


sábado, 17 de outubro de 2015

O que tem de bacana no Método Billings?



Então, vem ver o que tem de bacana?

O reforço da autoestima da própria mulher
  • Ela sabe o que está acontecendo em seu corpo, sabe que pode ter relações prevendo as consequências, dignifica seu corpo. Entende a função reprodutiva, compreende como funciona. Dar luz a estas incógnitas a faz mais dona de si mesma e permite a uma entrega maior a seu marido. Faz com que ele também se aproxime  a maravilhosa engrenagem do funcionamento do corpo do homem e da mulher. Conhecer o ciclo menstrual é chave para conhecer o porque a psicologia da mulher ao longo do mês também é cíclica. É positivo este conhecimento para as mulheres casadas e também para as jovens e adolescentes que tem que aceitar umas mudanças corporais e hormonais vertiginosas.
A responsabilidade compartilhada
  • Tanto o marido como a mulher responde por seus atos. Não estamos frente a um método anticonceptivo que falha ou não falha. São o marido e a mulher, no exercício de sua liberdade, quem toma uma decisão e a desejam cumprir, e entra no possível que, por determinadas circunstâncias, mude essa decisão, sendo eles os únicos responsáveis.
  • A responsabilidade é um exercício profundamente humano vinculado à liberdade, a possibilidade de decidir a cada momento o caminho a escolher.
O autocontrole é uma qualidade
  • Que permite assegurar o bem do outro, preocupar-se com que o outro necessita doar-se quando a ocasião o requer. O controle dos impulsos, em geral, e dos impulsos sexuais em particular favorece o crescimento do amor do casal.
  • “… o que parece a primeira vista mais bem mecânico (o respeito do “tempo  da mulher; que não se refere só aos períodos férteis, senão também  aos múltiplos ritmos da vida e as circunstâncias) e que exige às vezes espera e renuncia, e por tanto “trabalho e sacrifício”, é precisamente o que faz nascer uma espontaneidade distinta: profunda, secreta, permanente”.
Ajuda a descobrir a ternura e a afetividade que encerra a sexualidade
  • O domínio das manifestações genitais sobre outras mostras de afeto leva frequentemente a esquecer da ternura e todos os demais sinais de atenção recíproca.
  • O período de abstinência pode ajudar ao casal a descobrir a ampla gama de manifestações também corpóreas através das quais se podem expressar o amor.
  • Para que exista a ternura é necessário envolver-se com o outro através do espírito, a mente, o coração, o sentimento, as palavras, o gesto, o mesmo dom do corpo.
Desenvolvimento da comunicação
  • A diferença da contracepção em que um ou outro dos membros do casal utiliza um método, aqui os dois se veem levados a falar de sua sexualidade, a expressar o amor de diferente maneira, a comunicar as razões mais profundas que os podem levar a retardar uma gravidez. A utilizar a linguagem do corpo para expressar-se.
Estabilidade conjugal
  • Em última instância o que cresce é o AMOR conjugal. Cada um dos valores de que estamos falando dão suporte para o amor.
  • Quando o homem e a mulher se amam, se respeitam, expressam o amor em toda sua riqueza nos diferentes momentos do ciclo. Usam as próprias energias na pessoa amada, requer tempo e muitos pequenos detalhes cotidianos que entrelaçam a construção do verdadeiro amor porem de tudo isto emana paz e serenidade no lar.
  • Os Filhos, os parentes, a sociedade  percebem essa harmonia.
Respeito à vida
  • Compreender o milagre da vida é o início ao respeito à vida nascente.
  • Constata-se como muitos casais que tinham inúmeras razões para evitar uma gravidez, depois de alguns meses de aprendizagem abrem suas portas a um novo filho porque  redimensionaram sua vida, perderam o medo à vida porque agora sabem como ocorre, porque melhoraram em sua harmonia conjugal, enriqueceram sua afetividade.
  • Não poderíamos falar da regulação natural da fertilidade sem falar do respeito à vida e as fontes da vida.
Fontes: http://www.cenplafam.com/portal/metodo-natural/

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Planejamento Familiar Natural

A vontade de limitar o número dos filhos provém de um fato concreto ou de desejos egoístas? Como a Igreja lida com os casais que querem limitar o número dos filhos? Padre Paulo Ricardo explica por que a Igreja condena os métodos contraceptivos, inclusive a camisinha, e indica o MOB - Método de Ovulação Billings. 



Planejamento Natural da Família é uma opção de vida. É a busca de algo que transforme, que vivifique, que dê sentido e razão. O método natural se plenifica no contexto de vida que o acolhe. Decorre da descoberta e valorização de uma individualidade verdadeira, de uma sexualidade plena, de uma abertura ao outro, de uma abertura à geração responsável de nova vida e sua acolhida generosa e feliz.

Este conjunto constitui uma nova e forte e encarnada espiritualidade do amor conjugal e da família. O Deus da Vida está presente e ativamente neste contexto, inspirando, alimentando com a sua graça, dando forças para que as pessoas possam cumprir com alegria a sua missão. Planejamento Natural da Família é uma opção de vida e de vivência do Amor em família.

O Método da Ovulação Billings é uma presente de Deus para a vida da Mulher! E este presente foi dado pelas mãos do casal Billings, médicos que juntamente com a sua equipe de colegas organizaram uma metodologia que pudesse permitir as mulheres identificar os seus sinais e sintomas de fertilidade. 

A mulher que deseja utilizar o Método de Ovulação Billings é instruída a ficar atenta, durante todo o dia, às mudanças no seu corpo. E a partir de suas observações anotar num gráfico, usando as suas próprias palavras para descrever as observações, as sensações e o que acha necessário para o seu bom entendimento dos seus períodos. Importante ressaltar que é indispensável o acompanhamento de um instrutor qualificado, o qual recebe um treinamento de 40 horas/aula, mais um estágio supervisionado de, no mínimo, seis meses, apresentando três estudos de caso para que seja reconhecido e qualificado para tal acompanhamento.

O que o Método de Ovulação Billings requer, para seu sucesso, é o autoconhecimento, o diálogo e a unidade do casal. Sua eficácia depende dessas condições.
Outro aspecto interessante: Casais que seguem o Método Billings testemunham que cresceram nesses três aspectos: conhecem-se mais, dialogam, inclusive sobre seus corpos, e assim vivem uma bela unidade. Longe de afastar o casal, o MOB desperta o namoro entre os cônjuges, sobretudo na pequena fase mensal em que a mulher está fértil e, porque o casal resolveu, em unidade, espaçar gravidezes.

Cegar as fontes da vida é um crime contra os dons que Deus concedeu à humanidade e uma manifestação de que a conduta se inspira no egoísmo, não no amor




“ESTE MÉTODO NÃO SERVE ONDE NÃO EXISTE O AMOR”
Drª Evelyn Billings


Fontes: https://padrepauloricardo.org/episodios/camisinha-e-metodo-billings
        http://www.cenplafam.com/portal/metodo-natural/

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Feminilidade


Ao longo dos anos, a mulher tem lutado para ter seu espaço na sociedade. Muitas destas lutas vieram dos movimentos feministas que assumiram diversas bandeiras no correr da história. A primeira expressão de reivindicações surgiu quase que de forma simultânea na França, no Reino Unido e nos Estados Unidos, entre os séculos XIX e XX, com as “sufragistas”, movimento que defendia o direito de voto das mulheres.
Ainda nesta primeira onda, o feminismo propõe um certo antagonismo ao homem e à sociedade patriarcal. Começa a surgir uma rivalidade entre os sexos, quando a identidade de um passa a ser perigo para o outro. O feminismo começa, então, a assumir uma relação de poder entre os sexos¹.
Somos uma juventude que colhe os frutos amargos do feminismo. A origem desse movimento era positiva: alcançar os direitos da mulher. Qual problema da mulher ser bem remunerada, ter o direito de votar e conquistar seu espaço na sociedade? Nenhum! Afinal homem e mulher têm a mesma dignidade perante Deus, pois ambos foram criados à sua imagem e semelhança.

O problema está na forma como esse movimento foi alcançando tais resultados. Um movimento que poderia construir uma sociedade mais justa e fraterna foi criando uma rivalidade entre o homem e a mulher. A mulher para conquistar seu espaço foi agredindo a dignidade do homem e se agredindo na medida em que ia assumindo uma postura e comportamento contrários a sua missão inicial, em sua criação!²

Desta forma, nos lembra o Cardeal Joseph Ratzinger:

“Qualquer perspectiva que pretenda se propor como luta dos sexos, não passa de uma ilusão e perigo, pois desembocaria em situações de segregação e de competição entre homens e mulheres, promovendo um solipsismo que se nutre de uma falsa concepção da liberdade.”

Hoje em dia as mulheres não se preocupam em ser femininas, e sim feministas. Se uma mulher tem pensamentos diferentes do feminismo e quer viver sua vida dentro dos ensinamentos bíblicos, ela acaba sendo encarada como um ET. A sociedade hoje incentiva a mulher a competir com o homem e a ser independente. Além dos exageros com a imagem e ao incentivo a sensualidade, a sociedade se condicionou a viver em um duelo Homem X Mulher. 

É preciso resgatar, acima de tudo, o valor da mulher como portadora da imagem de Deus (Gn 1, 26) e o papel dela no contexto da criação: ajudar o homem a sair de uma condição da qual era impossível ele sair sozinho – sua solidão existencial.

“O feminismo foi criando na mulher uma autossuficiência, como se ela não precisasse do homem nem para ter filhos; mas nós sabemos que a grande desgraça da autossuficiência é que ela fecha a pessoa para o amor”, diz Emmir Nogueira, formadora geral da Comunidade Shalom.

A feminilidade é uma realidade projetada e criada por Deus - seu dom precioso a toda mulher - e, sob um aspecto diferente, um gracioso presente também para os homens. Nem o homem nem a mulher são suficientes para abrigar, sozinhos, a imagem divina (Gn 1, 27). Os dois juntos, no entanto representam a imagem de Deus. Ao criar a mulher Deus se preocupou em fazê-la especial e complementar ao homem e, para isso, concedeu a ela o dom da feminilidade.

A submissão é o ingrediente da feminilidade. Mas não me venha jogar pedras! Compreenda o sentido dessa submissão... Como noiva, a mulher no casamento abre mão da sua independência, sou convidada a me doar, a não ser mais egoísta, mas a caminhar em dupla. Não tomar mais decisões pautadas apenas nas minhas vontades, mas a pensar no meu par, naquele que um dia eu disse pra mim mesma que era o cara digno de passar o resto dos dias ao meu lado. Sou convidada ainda a acrescentar um sobrenome, a mudar o meu endereço, e, por ultimo no quarto nupcial, abro o meu corpo para o noivo. Como mãe, eu abro mão, no real sentido, da própria vida em beneficio do filho. Não é uma submissão que me desmerece! Não! Eu possuo um valor incrível quando aprendo a desfazer de mim para amar o outro. Foi o que Jesus me ensinou, do alto da cruz...

A feminilidade é receptiva. Ela aceita o que Deus lhe dá, seguindo o exemplo de Maria (Lc 1, 38), e não insistir no que não lhes é dado, repetindo o engano de Eva (Gn 3, 1-6). A missão da mulher é afetar a sociedade por meio da influência da família. Sabe, ser feminina não é apenas o que somos, também é o que fazemos. Nossa identidade feminina vem com uma tarefa singular: mudar o mundo. Mudar o mundo através dos nossos filhos ou daqueles que Deus colocar em nosso caminho. Somos chamadas a educar, a amar, com brandura corrigir, orientar. Passar valores. Mostrar aos que nos cercam com a docilidade que nos é típica os caminhos para uma sociedade justa e caridosa.

Ensina o Papa São João Paulo II: "Quando dizemos que a mulher é aquela que recebe amor para, por sua vez, amar, não entendemos só ou antes de tudo a relação esponsal específica do matrimônio. Entendemos algo mais universal, fundado no próprio fato de ser mulher no conjunto das relações interpessoais, que nas formas mais diversas estruturam a convivência e a colaboração entre as pessoas, homens e mulheres. Neste contexto, amplo e diversificado, a mulher representa um valor particular como pessoa humana e, ao mesmo tempo, como pessoa concreta, pelo fato da sua feminilidade. Isto se refere a todas as mulheres e a cada uma delas, independentemente do contexto cultural em que cada uma se encontra e das suas características espirituais, psíquicas e corporais, como, por exemplo, a idade, a instrução, a saúde, o trabalho, o fato de ser casada ou solteira." (Mulieris Dignitatem, 29)

O desafio da feminilidade é que você seja uma mulher realmente santa. A feminilidade é característica da alma feminina, que faz parte do projeto de Deus. É um tesouro a ser guardado e acalentado a cada dia. 


Que Maria, exemplo maior de mulher, nos ensine a verdadeira feminilidade. Que possamos, como ela, sermos fortes e capazes de mudar a história, com docilidade, brandura e amor infinito.


Texto baseado em:
1 - O feminismo e a luta dos sexos [http://destrave.cancaonova.com/o-feminismo-e-a-luta-dos-sexos/]
2- Você sabe o que é Feminismo? [http://blog.cancaonova.com/revolucaojesus/2012/01/23/voce-sabe-o-que-e-feminismo/]

quinta-feira, 16 de julho de 2015

"Toca o meu coração, Eu Sou a tua Paz..."



A música nos remete ao discípulo Tomé e à  passagem bíblica que encontra-se no Evangelho de João  (20, 19-31). Caso você não consiga assistir o vídeo, a letra da música está disponível ao fim do post. 


Falar sobre Tomé implica de certa forma numa instantânea viagem à minha historia. Mas vamos começar falando sobre Tomé, certo?! Por conhecimento básico ou só de "ouvir dizer", conseguimos falar um pouco sobre ele. É um dos doze discípulos escolhidos por Jesus (um fato interessante, que o evangelista Marcos nos traz é que "Ele chamou os que ele quis"), participou de forma muito próxima da Sua vida pública, presenciou seus milagres e pôde ter experiências de proximidade com o Senhor. Acredito que ao ler o nome de Tomé, automaticamente sua memória te levou àquela passagem onde Jesus o questiona acerca de sua fé. Mas através dele, o Senhor vem nos questionar hoje, acerca da nossa fé.

Desde que me conheço por gente, estou envolvido com movimentos na Igreja e graças a Deus por isso! Fiz muitos amigos, vivenciei muitas coisas, vi muitas coisas inexplicáveis à compreensão humana, tive muitas experiências com a misericórdia e o amor de Deus e continuo caminhando, buscando estar mais atento e dócil à voz dEle. Mas por muitas vezes tentei fazer as coisas à minha maneira, segundo o que era mais conveniente a mim, priorizando meus anseios, necessidades e verdades. A crença que por ser uma boa pessoa, por estar envolvido "nas coisas da Igreja", por ser um cara legal, me fez pensar muitas vezes que Deus tinha a "obrigação" de me atender do jeito e na hora que eu achasse mais conveniente. É justamente nesse ponto que os impasses começam, as dúvidas surgem, nos desgastamos sem necessidade, investimos em relacionamentos sem futuro, nossa fé é substituída pela necessidade e por aquilo que julgamos merecer.

Pois como Tomé, não nos contentamos com as vozes que nos dizem: "Vimos o Senhor!", nem sequer com as graças que vemos acontecer ao nosso redor cotidianamente. Em muitos casos, não nos contentamos com as promessas de Deus para nossa vida e começamos a colocá-Lo em uma negociata, colocando condições para aplicar nossa fé.

 "Se não vir nas suas mãos o sinal dos pregos, e não puser o meu dedo no lugar dos pregos, e não introduzir a minha mão no seu lado, não acreditarei!"

Vamos enchendo nossa relação e nossa oração de "Se's" (SE eu arrumar uma namorada(o), SE eu conseguir um trabalho, SE eu passar no vestibular, SE eu ganhar na loteria, SE eu emagrecer, SE eu passar naquela matéria, etc.) como se nos bastássemos e não dependêssemos do amor e misericórdia divinos, como se os planos dEle fossem menores que os nossos.  Não sei quanto a você, mas das vezes em que tentei fazer as coisas por mim, não consegui muito progresso e em boa parte das vezes "quebrei a cara", me decepcionei, me atrapalhei e é nesse ritmo que as coisas seguem quando nossa fé não é colocada em prática, quando tentamos fazer as coisas ao nosso bel-prazer. 

Somos convidados a manifestar nossa fé, ou melhor, somos desafiados a isso atualmente. Muitos acontecimentos nos inspiram descrédito, decepção, desapontamento, desesperança, nos levam a querer entregar os pontos, chutar o pau da barraca, independente da realidade que se aplique este sentimento, muitas vezes é essa a vontade que nos toma. Manifestar a fé é perceber-se amado e escolhido por Deus para estar próximo dEle, como outrora os doze discípulos foram escolhidos. Hoje, na realidade em que se encontra, você é chamado se aproximar ainda mais e a tocar as mãos e o lado do Ressuscitado, a experimentar verdadeira e continuamente este Amor que não conhece limites para amar.

Acreditar no verdadeiro Amor e propagá-lo é revigorar a fé de forma prática, pois ao nos ouvirem dizer: "Vimos o Senhor!", "Experimentamos o Seu Amor!" e à medida que nossas atitudes forem coerentes com nossa fala, pela ação do Espírito Santo, conseguiremos alcançar novos "Tomé(s)" e aproximá-los do lado aberto do Ressuscitado, para que possam tocá-Lo e reaver a fé, reacender a chama e retornar à vida! O mundo anseia por uma nova experiência de Amor verdadeiro e nós somos arautos deste amor, é missão nossa anunciar com a voz, a palavra e a vida, de forma incansável. 

Música: Tomé
Davidson Silva

Por muito tempo não acreditei
Me escondi, duvidei
Se tudo ao meu redor era ausência tua
Já não ouvia mais a tua voz
Só acreditarei se eu tocar
Teu lado aberto e sentir pulsar
A alegria dos que creem em Ti
Poder ouvir tua voz dizendo-me

Põe aqui tua mão, torna-te um homem de fé
Toca o meu coração e o medo se vai
Eu voltei para ti, por tanto te amar, toca o meu
Coração, eu sou a tua paz



domingo, 12 de julho de 2015

Gestando Esperança

Vós, que temeis o Senhor, esperai em sua misericórdia, não vos afasteis dele, para que não caiais;
Vós, que temeis o Senhor, tende confiança nele, a fim de que não se desvaneça vossa recompensa.
Vós, que temeis o Senhor, esperai nele; sua misericórdia vos será fonte de alegria.
Vós, que temeis o Senhor, amai-o, e vossos corações se encherão de luz.
Considerai, meus filhos, as gerações humanas: sabei que nenhum daqueles que confiavam no Senhor foi confundido.
Pois quem foi abandonado após ter perseverado em seus mandamentos? Quem é aquele cuja oração foi desprezada?” (Eclesiástico 2, 7-12)
Partindo deste texto bíblico, gostaria de escrever um pouco sobre a espera. Uma palavra tão falada ultimamente, hoje mais que uma palavra, um propósito, uma “filosofia de vida”. Vejo muitas pessoas dizendo que estão “esperando no Senhor”, mas o que é esperar? Até onde vai essa “espera”?  Esperar o que? Quem? Quando? Onde? Já parou para pensar sobre isso?
Segundo o dicionário: “Ficar em algum lugar até que chegue alguém ou alguma coisa que se tem como certa ou provável; Aguardar; Contar com; Ter esperança; Supor, ter satisfação em acreditar; Confiar.”, são significados de esperar, que nos conduzem à noção de que esperar é verbo que demanda paciência e resignação da parte de quem espera, vai além de um tempo ou estágio, pois tem como objetivo nos aproximar de nós mesmos e da essência que é o Amor!
O tempo de espera não é uma condição em si para se chegar a um relacionamento, ou seja, embora seja um tempo necessário a se vivenciar e de grande crescimento, não basta dizer aos “quatros ventos” que você está neste tempo, bem como não adianta vivenciá-lo de qualquer forma e achar que “OK, Senhor! Estou pronto! Pode enviar meu José (ou minha Maria). Amém!” Nossa espera, quando bem vivida alcança o outro, quando algumas questões em nós foram resolvidas, curadas e amadurecidas; mais que um processo externo, este tempo é primeiramente uma vivência pessoal, um tempo de olhar novamente para si, muitas das vezes até juntar os “cacos” do que sobrou, optar por um novo caminho, tempo de reunir forças, dar o último “gás” em prol de quem realmente vale a pena: “você”, com a ajuda de quem mais te ama nesse mundo: Deus. 
Quanta riqueza este tempo pode nos proporcionar!
O tempo de espera faz de nós “gestantes da esperança”, pois há em nós amor e força necessários para transformar o mundo a partir da nossa decisão de viver segundo a vontade de Deus, porque Ele deu-nos a possibilidade de realizar os sonhos que Tem para nós. Gestar a esperança é cuidar e nutrir o amor em nós, é deixar-nos encontrar por Deus e vivenciar Sua misericórdia, perceber que os Seus desígnios a nosso respeito são de vida e reconhecer que Seu Amor nos foi dado como dádiva para nos dignificar.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Castidade no Matrimônio


Já dissertamos por aqui, no post Que tal um desafio?, sobre o sentido da castidade em seu amplo sentido. Hoje queremos falar  de castidade no Matrimônio...

A castidade é o chamado para todo cristão, segundo seu estado de vida. No Matrimônio, a vivência conjugal reflete a vontade de Deus para dois fins: a procriação e o bem dos cônjuges. Desta forma, a virtude da castidade, que é fruto da presença do Espírito Santo na vida, conduzirá o casal a bem viver um para o outro, na doação e entrega total ao amor celebrado no altar. A fidelidade, o uso correto da sexualidade e o zelo, sabendo respeitar um ao outro são alguns efeitos que a castidade produz na vida a dois.

Como não recordar então as palavras fortes e claras do Arcanjo Rafael a Tobias, antes de este desposar Sara?

'O anjo respondeu-lhe: Ouve-me, e eu te mostrarei sobre quem o demônio tem poder: são os que se casam, banindo Deus de seu coração e de seu pensamento, e se entregam à sua paixão como o cavalo e o burro, que não têm entendimento: sobre estes o demônio tem poder.' [Tobias 6, 16-17]

Ou seja, não há amor verdadeiro e feliz na vida matrimonial se não se vive a castidade, que respeita o mistério da sexualidade e o faz convergir para a fecundidade e a entrega. Não há amor se não há Deus como centro dessa relação. Não há amor se não continuarmos a dominar nossas paixões. A castidade vivida a duras batalhas na vida de namorados segue conosco nessa nova fase! Ela é imprescindível para bem viver o tempo que virá. Mas agora muda a maneira de vivê-la...

Afirma o Catecismo (2367-68): 'A fidelidade exprime a constância em manter a palavra dada. Deus é fiel. O sacramento do Matrimônio faz o homem e a mulher entrarem na fidelidade de Cristo à sua Igreja. Pela castidade conjugal, eles testemunham este mistério perante o mundo. Um aspecto particular desta responsabilidade diz respeito à regulação da procriação. Por razões justas, os esposos podem querer espaçar os nascimentos de seus filhos. Cabe-lhes verificar que seu desejo não provém do egoísmo, mas está de acordo com a justa generosidade de uma paternidade responsável. Além disso, regularão seu comportamento segundo os critérios objetivos da moral.'

No altar, direi: 'E te prometo ser fiel...', promessa feita diante dos amigos, do padre, mas no altar e na presença dEle. Me comprometo a separar tudo que sou para doar ao meu noivo, é reservar o que tenho de mais precioso aquele que se mostrou digno de tal entrega. A castidade é fruto do doar-se. Ela nos conduz a fidelidade, quando nos ensina o domínio dos sentidos e o domínio do coração. A exclusividade não pode ser um peso. Ela é resultado de ter encontrado alguém tão especial para dividir a vida. E para ser verdadeira deve nascer no interior e governar cada pensamento, cada sentimento da pessoa. A verdadeira fidelidade é um voto feito a Deus, uma consagração da sexualidade.

Em sua exortação apostólica 'Familiaris Consortio', São João Paulo II afirmou a totalidade da doação mútua que deve ter o casal: 'esta totalidade, pedida pelo amor conjugal, corresponde também às exigências de uma fecundidade responsável, que, orientada como está para a geração de um ser humano, supera, por sua própria natureza, a ordem puramente biológica, e abarca um conjunto de valores pessoais, para cujo crescimento harmonioso é necessário o estável e concorde contributo dos pais. Assim sendo, todo ato que vise por vias artificiais impedir o fim procriativo do ato conjugal, é grave ofensa a Deus, por desvirtuar o fim primordial desta união, impresso pelo próprio Deus desde a criação, que é a geração de filhos.'

Entende a grandeza desse assunto? A vivência da castidade matrimonial implica em saber viver o dom da sexualidade e estar aberto aos filhos. Não ache que após a troca de alianças tudo é permitido e que não há necessidade de manter o relacionamento casto! Não! Esteja atento a exortação feita pelo Arcanjo. Não queira ser como o cavalo ou o burro... Nesta nova fase, uma das facetas da castidade é compreender que o outro não se tonou nosso objeto, o conjugue não é uma fonte inesgotável de prazer. O sexo deve ser doação! Deve ser para tornar o outro realizado. Sendo vocação, a nossa entrega ao esposo é uma representação terrestre da nossa entrega ao próprio Deus! É ato sagrado! É ato de vida! Na vida sexual, a realização do outro é nosso dever. Por isso, vivemos a sexualidade não para nós, mas para o outro. Nessa entrega está nossa realização. Doar é verbo eterno no amor!

Mas ao me doar, eu entrego tudo que sou e tenho. E meu marido precisará num ato de amor aceitar esse meu tudo. Ele precisa acolher minhas emoções, fragilidades, desejos, limites, meu corpo...  minha fertilidade. Por isso, um casal que se fecha aos filhos (usando métodos contraceptivos, por exemplo) está rejeitando um dom existente no outro. Não se doam por completo e, por isso, não vivem uma castidade real...  Para São Josemaria Escrivá, cegar as fontes da vida é um crime contra os dons que Deus concedeu à humanidade e uma manifestação de que a conduta se inspira no egoísmo, não no amor. As relações conjugais são dignas quando são prova de verdadeiro amor e, portanto, estão abertas à fecundidade, aos filhos.

Então teremos filhos a cada 9 meses? Não, meu bem. Deus é tão doce, tão bonito que concedeu ao casal a fertilidade em um curto período mensal. Assim sendo, Ele permitiu que fosse possível a vida sexual nos outros dias e fases sem a geração de um novo filho. Basta que saibam conversar e se conhecer! Conhecendo o corpo feminino, marido e mulher podem conscientemente e prudentemente planejar o espaçamento entre o nascimento dos filhos. Ao conhecer o meu corpo e viver comigo a beleza da castidade, meu marido compreenderá os dias em que a relação não será possível. Mas, é necessário que os dois estejam mergulhados na vontade de Deus, para que a vivência e compreensão disso tudo seja verdadeira e feliz.

Indo um pouco além, Deus concedeu ao homem o dom da medicina que através de estudos nos permite conhecer mais sobre a fisiologia humano, nos proporcionando um método natural de planejamento familiar, baseado no amor e companheirismo: o método Billings!

Quer saber mais sobre ele? Em breve trataremos aqui no blog!

Por hoje, peçamos a Deus a graça de bem viver a castidade em todas as fases da vida.
Que o Arcanjo Rafael venha nos admoestar sempre que ameaçarmos a nos entregar as paixões.
Que assim como Tobias, sejamos obedientes as ordens do céu.
Que São José, pai da castidade, interceda por nós.