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quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Ensinando o Método de Ovulação Billings - MOB (Parte 3)

Continuando...

A Fase Lútea
Figura 9 ilustra a fase lútea do ciclo, onde, desde o quarto dia depois do Ápice (o último dia de sensação escorregadia na vulva), a cérvix é fechada com um muco espesso, evitando que os espermatozóides entrem na cavidade do útero. O corpo lúteo está no ovário produzindo ambos, estrógeno e progesterona. Se não houver contato genital, desde o início do primeiro ponto de mudança até o início do quarto dia após o Ápice, o óvulo não será fertilizado e se desintegrará na trompas uterinas.



A menstruação (Figura 10) anuncia o final do ciclo, normalmente 11-16 dias depois da ovulação, e o início do ciclo seguinte. O tampão deixou a cérvix para permitir passagem do sangue do útero para fora. Os ovários regressaram agora a seu estado de repouso.



Ovulação atrasada – A fase pré-ovulatória longa e o padrão básico de infertilidade
A ovulação é amiúde atrasada em tempos de estresse, durante a amamentação e na pré-menopausa. O conceito de Padrão Básico de Infertilidade é um elemento essencial do Método de Ovulação Billings. O reconhecimento deste padrão, sem mudança da infertilidade pré-ovulatória, permite liberdade para relações, sem conceber, na fase pré-ovulatória, sem importar quão longo ou curto possa ser.

O Padrão Básico de Infertilidade é um padrão sem mudança, observado pelo período de pelo menos duas semanas. Seria:
  1. nada de fluxo (secura vulvar); ou
  2. um fluxo sem mudança na vulva, que acompanha um baixo nível sem mudança de estrógeno; ou
  3. uma combinação de (1) e (2) quando a descarga permanece sem mudança, durante 2 semanas de observação e é interrompida por dias secos.
O Padrão Básico de Infertilidade com fluxo, nos exemplos (2) e (3), é de origem vaginal. Quando os estrógenos sobem suficientemente para causar uma resposta cervical, o padrão muda e significa possível fertilidade. O aumento e a queda dos estrógenos podem provocar uma resposta endometrial com sangramento, seja sangramento de rompimento ou de privação.
As Regras dos Primeiros Dias (ver adiante), aplicadas ao padrão básico de infertilidade, proporcionam segurança no Método de Ovulação Billings, e asseguram o reconhecimento do retorno da fertilidade, no caso de ovulação atrasada devido a qualquer causa.
Falha Cervical e o Padrão Básico de Infertilidade
A cérvix precisa produzir um muco adequado para o bom funcionamento dos espermatozóides. Em algumas circunstâncias, por exemplo, aproximação (ou chegada) da menopausa, pós medicação contraceptiva, a cérvix falha ao responder ao estimulo estrogênico com conseqüente falha de liberação de muco receptivo aos espermatozóides. A mulher está então infértil, mesmo se estiver ovulando. Ela deverá reconhecer isto como um padrão sem alteração, isto é.
  1. PBI de secura,
  2. um fluxo sem mudança, ou
  3. uma combinação de ambos seco e um fluxo sem mudança.
Se aplicam as Regras dos Primeiros Dias, permitindo o reconhecimento de qualquer retorno da fertilidade.
As Regras do Método de Ovulação Billings
  1. Para conseguir a gravidez:
Aplique as Regras dos Primeiros Dias. Isto a torna capaz de reconhecer a mudança do padrão fértil de muco. Retarde a relação até que apareça o muco escorregadio. Os dias seguintes são os mais férteis. Daí que as relações deverão ocorrer enquanto o muco escorregadio é sentido e por um ou dois dias pós Ápice.
  1. Para evitar a gravidez:
    1. As Regras dos Primeiros Dias e
    2. A Regra do Ápice
são aplicadas. Estas regras são como segue:
As Regras dos Primeiros Dias
Regra 1: Evite as relações nos dias de forte sangramento durante a menstruação.
Regra 2: Noites alternadas são disponíveis para relações quando estes dias forem reconhecidos como inférteis (Padrão Básico de Infertilidade).
Regra 3: Evite as relações em qualquer dia de muco ou sangramento que interrompa o Padrão Básico de Infertilidade. Permita três dias de PBI depois, antes de reiniciar as relações na noite do 4º dia. Regra 2 continua.
A Regra do Ápice
Quando o Ápice e identificado, seguindo uma mudança do PBI, a Regra do ápice e aplicada. Desde o inicio do quarto dia apos o Ápice até o final do ciclo, a relação sexual é disponível cada dia, a qualquer hora.
Importância do Gráfico
Se estas indicações são aplicadas, o casal pode esperar 99% de êxito em evitar a gravidez.
A anotação diária é importante para recordar à mulher para prestar atenção ao sinal do muco, a cada dia.
O registro dá valiosa informação ao marido, para que ele e sua esposa possam discutir as possibilidades, e juntos, decidir quando trarão ao mundo seu primeiro ou seguinte nenê. Desta forma uma forte e amorosa comunicação se estabelece entre eles, e o bebê é bem vindo e amado.

Legendas para Selos e Símbolos
As legendas para os vários selos coloridos símbolos usados nos gráficos seguem abaixo:

RECOMENDA-SE QUE SE PROCURE UM INSTRUTOR HABILITADO.
Cada ciclo tem o seu padrão. Não espere que um ciclo seja igual ao outro. Se qualquer dúvida ou dificuldade aparecer, procure um instrutor do Método de Ovulação Billings. Enquanto você está aprendendo o Método, revisões do gráfico são recomendadas a cada duas a quatro semanas. Para localizar o instrutor mais perto de você ou para outras dúvidas, entre em contato com a CENPLAFAM – WOOMB BRASIL

Fontes: 
http://www.billingsmethod.org/bom/lit/teach/index.html
http://www.fertilitypinpoint.com
http://www.thebillingsovulationmethod.org
http://www.cenplafam.com/portal/mob/

terça-feira, 28 de julho de 2015

Desígnios

“Bem conheço os desígnios que mantenho para convosco - oráculo do Senhor -, desígnios de prosperidade e não de calamidade, de vos garantir um futuro e uma esperança. Invocar-me-eis e vireis suplicar-me, e eu vos atenderei. Procurar-me-eis e me haveis de encontrar, porque de todo o coração me fostes buscar.” (Jeremias 29, 11-13)
Após encerrar uma semana muito intensa, de muitos questionamentos, desafios e algumas decisões, durante a missa dominical o Senhor me fazia lembrar da primeira parte do versículo que citei acima. Comecei a trazer à memória todas as inquietações da semana e algumas outras situações. Pude então compreender que eu não estava enfrentando tudo sozinho, que todo o cansaço acumulado até a sexta-feira não era resultado de uma “batalha individual”, pelo contrário, era uma “resposta palpável” de um pedido feito a Deus, de uma decisão pela submissão aos planos dEle.

Sou como você irmão (ã), estamos na busca, temos nossos defeitos e qualidades, vivenciamos uma luta diária e por nossas forças apenas não conseguiremos muito êxito. Então como fazer? Qual o caminho para não sucumbir no combate?O Profeta Isaías no capítulo 55, versículo 6 nos dá uma grande alternativa: “Buscai o Senhor, já que Ele se deixa encontrar; invocai-o, já que está perto.” 
Daí você pode me dizer: - mas eu já O tenho buscado e continuo buscando!
Eu te responderei: - Eu também estou na mesma busca!

Pois bem, que bom que estamos na mesma busca, que podemos ser suporte um para o outro e para tantos outros irmãos e irmãs que partilham da mesma busca. Mas será que apenas buscar é o bastante? Afinal, somos seres da falta, pessoas incompletas, logo, vivemos em constante busca. Será que de fato buscamos a Deus com todas as consequências desta busca ou estamos buscando as coisas que imaginamos que vamos “conseguir mais fácil” se estivermos “próximos de Deus”?

Já se questionou sobre o que Deus quer para a tua vida? Já se perguntou o porquê de algumas inquietações? Chegou a se perguntar se é isso mesmo o que Ele quer para ti? Você tem a coragem de submeter a tua vontade e vida à vontade de Deus?
Nos acostumamos a nos favorecer em relação aos planos de Deus, de forma que os nossos sonhos, nossos critérios e exigência tomam o lugar do que, de fato, está reservado para nós, do que é designío dEle. O profeta vai dizer: “...desígnios de prosperidade e não de calamidade, de vos garantir um futuro e uma esperança...”. Por que então não conseguimos tomar posse desses desígnios?

Nossas concepções de liberdade e felicidade encontram-se distantes da noção de submissão, confiança e obediência; o Amor deixou de ser a nossa bússola em um mundo de tantos descaminhos. Nos acostumamos com a figura de um amor que pede antes de dar, que se entrega apenas à medida que recebe, que se submete apenas para obter vantagem ou para evitar a perda, que confia apenas em si, vamos nos enchendo de autossuficiência e nos afastando cada vez mais dos nossos desígnios. Buscamos o verdadeiro Amor e este é um passo de grande coragem, que nos exige confiança e submissão. Em Deus aprendemos que fazer-nos submissos, ao contrário do que vemos no mundo, não é sinônimo de inferioridade ou menosprezo, mas é sinal de uma entrega total ao Amor que nos promete um futuro e uma esperança. Que o Espírito Santo nos conduza e fortaleça todos os dias, para que com ânimo renovado, busquemos cada dia mais realizar em nossas vidas os sonhos que Deus sonhou para nós.

domingo, 12 de julho de 2015

Gestando Esperança

Vós, que temeis o Senhor, esperai em sua misericórdia, não vos afasteis dele, para que não caiais;
Vós, que temeis o Senhor, tende confiança nele, a fim de que não se desvaneça vossa recompensa.
Vós, que temeis o Senhor, esperai nele; sua misericórdia vos será fonte de alegria.
Vós, que temeis o Senhor, amai-o, e vossos corações se encherão de luz.
Considerai, meus filhos, as gerações humanas: sabei que nenhum daqueles que confiavam no Senhor foi confundido.
Pois quem foi abandonado após ter perseverado em seus mandamentos? Quem é aquele cuja oração foi desprezada?” (Eclesiástico 2, 7-12)
Partindo deste texto bíblico, gostaria de escrever um pouco sobre a espera. Uma palavra tão falada ultimamente, hoje mais que uma palavra, um propósito, uma “filosofia de vida”. Vejo muitas pessoas dizendo que estão “esperando no Senhor”, mas o que é esperar? Até onde vai essa “espera”?  Esperar o que? Quem? Quando? Onde? Já parou para pensar sobre isso?
Segundo o dicionário: “Ficar em algum lugar até que chegue alguém ou alguma coisa que se tem como certa ou provável; Aguardar; Contar com; Ter esperança; Supor, ter satisfação em acreditar; Confiar.”, são significados de esperar, que nos conduzem à noção de que esperar é verbo que demanda paciência e resignação da parte de quem espera, vai além de um tempo ou estágio, pois tem como objetivo nos aproximar de nós mesmos e da essência que é o Amor!
O tempo de espera não é uma condição em si para se chegar a um relacionamento, ou seja, embora seja um tempo necessário a se vivenciar e de grande crescimento, não basta dizer aos “quatros ventos” que você está neste tempo, bem como não adianta vivenciá-lo de qualquer forma e achar que “OK, Senhor! Estou pronto! Pode enviar meu José (ou minha Maria). Amém!” Nossa espera, quando bem vivida alcança o outro, quando algumas questões em nós foram resolvidas, curadas e amadurecidas; mais que um processo externo, este tempo é primeiramente uma vivência pessoal, um tempo de olhar novamente para si, muitas das vezes até juntar os “cacos” do que sobrou, optar por um novo caminho, tempo de reunir forças, dar o último “gás” em prol de quem realmente vale a pena: “você”, com a ajuda de quem mais te ama nesse mundo: Deus. 
Quanta riqueza este tempo pode nos proporcionar!
O tempo de espera faz de nós “gestantes da esperança”, pois há em nós amor e força necessários para transformar o mundo a partir da nossa decisão de viver segundo a vontade de Deus, porque Ele deu-nos a possibilidade de realizar os sonhos que Tem para nós. Gestar a esperança é cuidar e nutrir o amor em nós, é deixar-nos encontrar por Deus e vivenciar Sua misericórdia, perceber que os Seus desígnios a nosso respeito são de vida e reconhecer que Seu Amor nos foi dado como dádiva para nos dignificar.

sábado, 27 de junho de 2015

"Por favor, cativa-me!"

"...Após uma reflexão, acrescentou:
- Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços".
- Criar laços?
Exatamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto
inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não
tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil
outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para
mim o único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves
esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa..."
(O Pequeno Príncipe - Antoine de Saint Exupéry)

          À luz deste diálogo, te convido a pensarmos um pouco mais sobre as relações. Nesse sentido é praticamente impossível não fazer uma relação do pedido feito pela raposa:"Por favor, cativa-me!", com o que vemos manifesto em nossas ações, falas, expressões e atitudes e de boa parte das pessoas com as quais convivemos. É como se o amor gritasse, mesmo sufocado por tantas outras coisas num constante e diverso grito de "SOCORRO".  
Cativar... realmente uma coisa esquecida atualmente, uma palavra que praticamente caiu em desuso. Nesses tempos em que "ter" vale mais que "ser", temos nos empenhado em conquistar, obter, pela simples necessidade de "ter que ter". Esquecemos das pequenas conquistas, dos detalhes que cativam, que não somente criam laços, mas os tornam consistentes. Um olhar, um sorriso, uma palavra, o silêncio de uma escuta sincera, a preocupação e o cuidado despretensiosos, são as alegrias de "ter por ser".
  
   O hedonismo disseminado em nossa sociedade contradiz a construção de relacionamentos (independente do tipo) confiáveis e duradouros, pois a busca pela obtenção de prazer como último fim beneficia apenas um lado, transformando os relacionamentos em "negociações físicas e emocionais", onde um lado sempre vai sair em desvantagem. O outro passa a ser objeto de interesse, que perde sua utilidade tão logo apareça outro "objeto mais interessante" e a partir desta lógica vamos construindo relações fadadas à ruína.
Cativar é dar vez ao milagre do outro em nossa história e confiar ao outro o nosso "sagrado", o que temos de melhor e pior, é uma via de reciprocidade e obviamente não acontece num piscar de olhos; demanda tempo, trabalho, esforço, sinceridade, abnegação, entre tantas outras coisas. Sem dúvidas é algo imprescindível para o amadurecimento pessoal e fortalecimento das relações como um todo. Reclamamos da superficialidade das pessoas e das relações, mas até que ponto estamos dispostos a cativar e nos deixar cativar, até onde queremos nos responsabilizar?

   "... Tu te tornas ETERNAMENTE RESPONSÁVEL por aquilo que cativas", uma consequência um tanto quanto pesada, uma responsabilidade imputada àqueles que se dispõe a cativar e/ou se deixam cativar.
Como ser eternamente responsável se não somos eternos? 
A lição da raposa é proporcionalmente linda, simples e sutil!
Vivendo sinceramente a experiência de cativar, o sentimento de responsabilidade para com o outro surge naturalmente, reflexo de um ato de amor, de um "querer bem", de uma atenção recíproca e o ETERNO, por sua vez, não se dá pelo tempo que ficamos próximos, mas pelo significado que atribuímos, pela verdade que expressamos e pela coragem de cativar continuamente.

Higor Pontes