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quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Ensinando o Método de Ovulação Billings - MOB (Parte 2)

Continuando...
O Padrão Básico de Infertilidade
O Padrão Básico de Infertilidade é um padrão sem mudança e reflete inatividade ovárica. Nos ciclos longos é reconhecido por:
  1. Secura sem mudança (Figura 3 - Parte 1), ou
  2. Vulva seca com uma pequena quantidade de muco que se vê é que o mesmo cada dia. A figura 4 ilustra um padrão básico de infertilidade de muco. São estudados três ciclos (4a, 4b, 4c) para identificar corretamente o ponto de mudança de (i) sensação ou (ii) a aparência do muco ou ambas.

Figura 4 (a) – (c) O padrão básico de infertilidade do muco permanece o mesmo dia após dia, ciclo após ciclo, inicialmente registrado com um selo branco com bebê ou com o símbolo ○ (4a), porém, logo registrados com selos amarelos ou com o símbolo quando o padrão parece não mudar = (4b, 4c)]Não há entrada de espermatozóides dentro da cérvix devido ao tampão de muco.

Os ovários estão em repouso. Muito pouco estrógeno está sendo produzido. A cérvix está fechada e não há penetração de esperma. Se o fluxo permanece o mesmo, dia após dia, por três ciclos, é um sinal de infertilidade. Sente-se a vulva seca e o muco, que é o resultado de pequenos fragmentos que se desprendem da parte baixa do tampão, é pouco e opaco. Este padrão sem mudança de infertilidade é comum para muitas mulheres.

Regra 2: Noites alternadas são disponíveis para relações quando estes dias forem reconhecidos como inférteis (Padrão Básico de Infertilidade).

Ponto de mudança
A figura 5 mostra que, agora, o ovário está ativo e está produzindo estrógeno ( _ _ _ ), o qual estimula a cérvix para que atue. Produz-se muco líquido e este libera o tampão; assim o esperma pode agora entrar no cérvix. Uma mudança na sensação de seca para não mais seca é experimentada agora na vulva e é registrada no gráfico com um selo branco com bebê ou com o símbolo ○. A aparência do muco pode ser espessa e opaca. Este muco opaco, pegajoso, não indica infertilidade. O fato de que tenha chegado à vulva significa que deixou a cérvix, deixando-o aberto aos espermatozóides.

Regra 3: Evite as relações em qualquer dia de muco ou sangramento que interrompa o Padrão Básico de Infertilidade. Permita três dias de P.B.de I. depois, antes de reiniciar as relações na noite do 4º dia. Regra 2 continua.






A figura 7 mostra o padrão de mudança da fertilidade. (O padrão básico de infertilidade tem sido sem mudanças). O ovário está produzindo, mais e mais, grandes quantidades de estrógeno ( _ _ _ ). O muco está mudando de pegajoso para uma sensação de molhada e escorregadia. Podem ser notados fios claros de muco. A quantidade máxima de muco pode diminuir e continuar uma sensação escorregadia por um dia ou dois. O último dia de sensação escorregadia é o dia mais fértil no ciclo e é chamado de ÁPICE, por ser o dia ápice da fertilidade e está associado a uma maior sensibilidade e edemaciaçao da vulva.

O óvulo pode ser visto agora na trompa uterina (Figura 8). A cérvix está começando a se fechar com o muco espesso sob a influência da progesterona ( ____ ) do folículo luteinizado (o corpo lúteo). A progesterona tem uma influência sobre o muco, que faz com que a mulher sinta a mudança da sensação na vulva e ela sente-se seca ou pegajosa.



Já não há mais nenhuma sensação escorregadia na vulva. Isto é devido às mudanças no cérvix e na parte baixa da vagina, ambos os quais estão sob o controle hormonal. O muco resseca ao passar pela vagina devido a ação das Bolsas de Shaw.
Continua...

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Conhecendo o MOB - Parte I



1 - Aprender o MOB
Aprender o MOB é muito fácil. Bastará tão somente que a mulher saiba dialogar com o seu próprio corpo, ficando sempre atenta aos sinais de que ele emite através da visão do muco e da sensação de secura ou umidade na vulva que este produz.
Uma dica para facilitar esse diálogo é a mulher  perguntar-se sempre:
-       Como sinto minha vulva agora?
O corpo emite sinais claros no tempo que antecede a ovulação, permitindo a mulher sentir-se segura na sua observação. No entanto, algumas mulheres sentem-se ansiosas ao iniciar o método, porque temem não conseguirem ter percepção alguma. Um exemplo fácil a ser aplicado neste caso, é o início da menstruação, a vulva neste período não está seca, a sensação que a mulher refere é de molhada ou de algo pegajoso e o sangue é visível, mas cabe salietar que a sensação da vulva molhada antecede  a visualização do sangue. A sensação na vulva é o evento  mais importante, garantindo o aprendizado a todas as mulheres, inclusive as deficientes visuais.

2 - Materiais Necessários
-    Caneta ou lápis de cor.
-    Papel para registro do gráfico.
-    Suas observações.

3 - Como realizar as observações
As observações são realizadas ao longo do dia, durante as atividades habituais: trabalhar, andar, praticar exercícios. Na posição em pé e com a movimentação do corpo, o muco cervical deixa o canal vaginal, alterando a sensação na vulva, porém é importante lembrar que nem sempre o muco é visível.  A mulher identifica a sensação na vulva e posteriormente realiza a inspeção do muco se possível. Não devem ser realizados exames internos, já que a  vagina é sempre molhada e essa atitude pode ocasionar confusão. O muco deve ser  visualizado  naturalmente, na roupa íntima, ao higienizar-se e/ou durante as eliminações fisiológicas.
A mulher se mantém em sintonia com seu corpo, tornando-se automático e harmônico memorizar as mudaças que ocorrem, para posteriormente anotá-las.

 4 - Registro do gráfico
Um registro diário é essencial no MOB, pois facilita o reconhecimento  dos sinais da fertilidade, tornando a mulher apta e segura.
As anotações das observações são realizadas a noite, já que a sensação na vulva pode ser alterada ao longo do dia.
Foi desenvolvido um registro padrão de cores ou símbolos para recordação das observações. Manter as anotações destas torna-se rapidamente algo natural.
O registro é muito simples, requer apenas que pinte ou marque  no gráfico, a cor ou símbolo apropriado, depois escreva duas ou três palavras que descrevam a sensação produzida pelo muco e sua aparência. O importante é anotar sempre a mesma palavra para descrever a mesma sensação e aparência, estas possibilitam informações precisas do ciclo. 
A medida que passam os dias, a mulher familiariza-se com suas anotações. O seu padrão de muco e as sensações que estes produzem em ciclos normais, começam a ser identificados. Caso exista alguma alteração no ciclo, como retardo ou adiantamento da ovulação, rapidamente esta também já pode ser reconhecida. As alterações no ciclo mais comuns são por: estresse, amamentação, pré-menopausa e interrupção da medicação hormonal.

5 - Quando iniciar o registro
Muitas mulheres acreditam que o primeiro registro deve acontecer no primeiro dia da menstruação, esta é uma prática equivocada e sem necessidade. O primeiro registro se inicia imediatamente após a aprendizagem (ítem 6), e sua duração para avaliação é usualmente de duas a quatro semanas. Neste período orienta-se a mulher ou o casal a abster-se de todo contato genital, chamado de silêncio genital, desta forma as observações não são prejudicadas pela secreção proveniente da relação e contato genital, que podem retardar o aprendizado.
A partir deste período, informações valiosas do ciclo menstrual serão identificadas, permitindo o reconhecimento de quando se está potencialmente fértil e quando se está infértil.
A familiarização com as observacões, anotações e a consulta com um instrutor licenciado, tornarão a mulher mais segura.

6 - Observações na vulva
Sensação – esta é a observação mais importante.
Toda mulher experimenta alguma sensacão na vulva. O muco cervical necessariamente produz uma sensação ao deixar o canal vaginal, que ao longo do dia, nas atividades diárias, a mulher o observa, ou pode ser treinada a observar. Esta pode ser de secura (nenhuma sensação) ou de molhada.

Os termos habitualmente utilizados são:
-       Seca – nenhuma sensação
-       Molhada – esta sensação é  variável, de acordo com o momento do ciclo menstrual. Existem duas  sensações experiementadas específicas, a mulher não se sente seca, descrita como algo pegajoso, molhada/pegajosa, e a sensação de algo que molha, descrita como algo que é escorregadio na vulva, molhada/lubrificada ou molhada/escorregadia.

Aparência – Ao sentir a presença do muco e se possível observação visual. Os termos habitualmente utilizados são:
-       Cor - opaco, turvo, claro, transparente, borra(quando está manchado de sangue), presença de fios.
-       Fluidez -   espesso, grosso, aquoso, fino
-       Quantidade – pouca, média e grande.

O fator quantidade é muito variável, pois é dependente da produção de muco de cada mulher.
A mulher não deve se apegar a essas descrições, pois são somente sugestões. Utilizar suas próprias palavras a cerca das sensações e aparência do muco, podem facilitar a observação, aprendizado e segurança, que posteriormente serão utilizadas no registro.
A descrição não precisa ter sentido para outras pessoas, simplesmente devem ser anotadas e posteriormente explicadas para uma instrutora qualificada.
Cabe relatar, que muitas mulheres, ao receberem as informações básicas do MOB, surpreendem-se nas anotações iniciais, pelas diferentes sensações observadas e de como o diálogo com seu corpo é verdadeiro.

[Continua...]


sexta-feira, 16 de outubro de 2015

O sexo como dom e presente de Deus


Estamos vivendo uma cultura de sensualidade e permissivismo, onde Deus é excluído e as pessoas fazem o que bem entendem, sem tomar consciência das consequências e da destruição que estão causando ao mundo, às famílias e ao ser humano. É uma cultura que “ataca” estritamente os jovens, aqueles que deverão formar e gerar as futuras famílias.
O sexo antes do casamento já se tornou hábito nos relacionamentos, algo “normal” para muitos casais. Mas não só hábito, muitos casais utilizam mal e abusam desse grande dom que Deus nos concedeu, sem olhar para o mistério divino que nele existe. Utilizando-me da Teologia do Corpo, de São João Paulo II, espero transmitir o belo mistério divino que existe no ato sexual. O sexo é um presente de Deus que não se pode abrir antes da data especial.
O amor é o porquê do sexo só depois do casamento. Quando a Igreja ensina que os casais devem ter relações sexuais somente depois do matrimônio, é porque ela quer proteger o amor. O sexo, principalmente na adolescência, pode ser uma forte máscara para um falso amor. Será que realmente é amor fazer sexo antes do casamento ou é somente um pretexto para satisfazer os meus desejos e impulsos sexuais? Amar não é somente fazer sexo, mas doar-se nas pequenas coisas; o sexo é uma consequência do amor que quer se multiplicar, procriar e gerar vida.
A disposição para amar o outro não deve ser a relação sexual, mas a entrega total, diária e recíproca ao outro em Deus. Amar vem primeiro, sexo vem depois (matrimônio) e sempre ligado ao amor. É isso que a Igreja, com o seus ensinamentos, quer transmitir, é a proposta que a Igreja faz aos jovens.
Então, por que falar do sexo como um presente? Bem, o Youcat nos diz que “uma pessoa não pode doar nada maior à outra do que a si mesma”. São João Paulo II, quando fala do corpo como “sacramento”, quer dizer que “se trata de um sinal que torna visível o mistério invisível de Deus”. Portanto, a entrega do corpo à outra pessoa expressa totalmente uma autoentrega, ou seja, ela se entrega como presente especial.
No relacionamento rumo ao matrimônio, existem etapas que o casal deve seguir, e não as pode queimar. Não podem estragar a surpresa da entrega do presente. O namoro não é tempo de conhecer o corpo da outra pessoa, mas de conhecer a alma. É tempo de pensar em casar e não viver como “casado”. Mais adiante vem o noivado, um tempo de querer firmar um compromisso sério, de querer casar. A outra etapa é o sacramento do matrimônio, tempo de unir-se inteiramente à outra pessoa perante Deus e a Igreja, ser uma só carne.
“a relação sexual tem uma linguagem que proclama: ‘Eu sou totalmente teu até a morte. Eu te pertenço e tu me pertences até que a morte nos separe'”
Um dia, perguntaram a um estudante por que ele ainda não tinha estado na cama com uma jovem. Ele respondeu: “Ainda não sei com quem um dia casarei. Mas não quero trair já, neste momento, a minha futura esposa”. Veja a expressão de amor que esse estudante nos transmite: ele ama sua futura esposa mesmo sem ainda a conhecer; por isso, busca ser fiel desde já. Muitas coisas acontecem sem discernimento e sem espera; muitos jovens vivem infelizes ou enganados em seus relacionamentos.
A relação sexual não é divina, mas sinal do mistério divino da Trindade. É interessante e, ao mesmo tempo, muito belo quando São João Paulo II fala da sacramentalidade do corpo, na qual se expressa, também, no ato conjugal dos casais: “Nos sacramentos, o espírito e a matéria ‘beijam-se’. O Céu e a Terra abraçam-se numa união que nunca chegará ao fim”. Assim também acontece na relação entre o homem e a mulher que se entregam, sua alma e corpo se “beijam” numa união tão profunda que nunca chegará ao fim. Por isso, a relação sexual é um momento sagrado; e fazê-la antes do casamento é violar a sacralidade do grande mistério desse ato de entrega.
Por fim, a relação sexual tem uma “linguagem” que proclama: “Eu sou totalmente teu até a morte. Eu te pertenço e tu me pertences até que a morte nos separe”. Isso é declarar um amor forte como a morte, é alcançar o auge do verdadeiro amor pela outra pessoa. Esperar pelo sexo depois do casamento é expressão de respeito, amor e humildade; é a verdadeira prova de amor. Jovens, lutem pelo que permanece e não pelo que se esvazia em algumas horas de prazer antes do casamento.
Texto originalmente postado em: http://destrave.cancaonova.com/o-sexo-como-dom-e-presente-de-deus/

quinta-feira, 2 de julho de 2015

De joelhos


Quero escrever sobre mim. Mas para você. Sobre nós. Sobre a beleza de ser mulher. Sobre a grandeza de ser homem.

"Deus criou o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou, homem e mulher os criou." (Gên 1, 27). Segundo São João Paulo II em sua carta apostólica 'Mulieris dignitatem', a criação do homem é o ápice de toda a ordem criada, coroa toda a obra da criação. No inicio, vendo que não era bom que o homem estivesse só, Deus o concedeu uma auxiliar: a mulher, chamada desse modo à existência, é imediatamente reconhecida pelo homem "como carne da sua carne e osso dos seus ossos" (Gên 2, 23).

Desde o início aparecem como unidade, isto significa a superação da solidão originária, companheira da vida, com a qual o homem pode unir-se como a uma esposa, tornando-se com ela "uma só carne" e abandonando por isso seu pai e sua mãe. Juntos, homem e mulher confirmam o sentido integral da própria humanidade.

Compreende que somos sagrados? Que a mulher é um tesouro dado ao homem para ser cuidada?  E que a mulher é auxiliar não apenas no campo físico, mas para fazer dele melhor, para ajudá-lo a se compreender e construir. Mulher é mistério a ser revelado, por causa da sua grandeza, não é fácil de ser revelado, mas merece ser buscado. Somos chamadas ao mistério e não a exposição. É preciso assumir esse papel, assumir tua feminilidade, tua sensibilidade, se permitir ao cuidado. E cuidar para ser instrumento de santidade aos homens.

Ao homem foi entregue o mundo para que cuidasse e a mulher para que conduzisse. Vocês homens tem a grande missão de fazer com que aqueles que o Senhor os destinou cheguem até Ele. Foram feitos para a luta, Deus os concedeu coragem e força. Atualmente, é exigido de vocês a coragem para vencer a atual crise da masculinidade, é necessário reassumir o papel de condutores dos que o cercam ao céu. É preciso reorientar-se para ver a mulher como teu presente, como teu sagrado, imagem e semelhança de Deus.

Vivo um momento mágico na minha vida: vou me casar! Em menos de 18 meses a promessa de Deus de viver o céu na terra se fará na minha vida, meu namoro se tornará sacramento... E como toda mulher, essa é uma fase de ansiedade e preparativos, mas de uma beleza imensurável!

Sou do tipo que gosta de saber o 'por que' de tudo. Por que noiva usa branco? Por que tem festa? Por que tem que ser de salto? Por que? E no meio desses tantos, me perguntei: por que o pedido de noivado é feito de joelhos? Achei que não haveria resposta, que a explicação era simples... Eis que me deparei com uma reflexão bonita e profunda... Que me recordou do livro do Gênesis...

Fazemos genuflexão na Igreja, e em frente de reis e rainhas, mas por que um homem faz o mesmo gesto diante da mulher a quem ama?  E por que mantemos essa tradição?

Descobri que a origem dessa tradição é incerta, mas já se faz há séculos. Nós fazemos a genuflexão, colocando um joelho no chão, como sinal de respeito pelo tabernáculo onde está a Eucaristia. Os cavaleiros se ajoelham diante do rei quando vão receber alguma homenagem, e quando se apresentam demonstrando respeito e honra à realeza. Na guerra, o exército vencido se ajoelha diante do exército vencedor da batalha em sinal de rendição.

Respeito. Honra. Rendição. Submissão. Essas são as razões pelas quais o homem se ajoelha ao pedir em casamento. Em sinal de respeito, o homem se curva em um ato de humildade diante da mulher com quem deseja passar a vida toda...

Mais ainda! Há ainda outro significado! Quando está ajoelhado, o homem está na altura do ventre da mulher, onde está o santuário da vida! Ele está honrando o corpo dela, e honrando a criação de Deus, que merece ser venerada. O homem está se rendendo e comprometendo o resto de sua vida a amar sua esposa. Ele está entregando sua solteirice e entrando na paternidade ao se comprometer na criação dos filhos com ela, e em permanecer fiel a ela em todas as coisas.


Em breve eu ficarei noiva! E cada vez que compreendendo o tesouro que Deus nos deixou, na relação homem e mulher, em cada pedacinho, em cada gesto. Quanto mais vou descobrindo o divino dessa relação, eu sou capaz de amar mais e melhor. E no instante que o meu namorado repetir esse gesto, mais do que a emoção de me tornar noiva dele, eu vou me recordar do sagrado que vivemos, quando com um joelho no chão, ele faz dom de si para mim.

"Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne." (Gên 2,24)

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Amor: investimento a longo prazo.


Ah, o amor!
Desejado, buscado, ilustrado, encenado, em forma de poesia... em todo canto há amor!
Há mesmo?
O tal do amor é algo que nos move, nos coloca em movimento. Estamos em constante busca, vamos atrás dos mais variados tipos de amor, amor de mãe, de pai, de amigos... e o tal amor da vida! A metade da laranja, a cara metade, o príncipe encantado, qualquer que seja a expressão usada, ela mostra que somos sedentos por algo que nos preencha.

Esse texto é pra você que está nessa busca, para te ajudar a pensar como você vive esse momento. Para te contar como é árduo esse caminho, pra te dizer que é subida de morro! Mas também, pra te dizer, que lá de cima, a vista do por do sol é mais bonita.

Procurar um amor não é simples. Talvez seja para quem não sabe o que procura, pra quem somente espera chegar. Quem investe nessa aventura, descobre que o amor não é lucro de retorno imediato, é investimento a longo prazo. Não cede à tentação de procurar saídas fáceis ou atalhos na vida.

Amar exige coragem. Encontrar o amor da vida quer dizer encontrar alguém para viver a tua velhice. Hoje teu companheiro de jantares românticos e de fotos na Pedra do Arpoador postadas no Instagram, amanhã quem apenas dormirá ao teu lado numa velha cama e achará lindo os teus cabelos brancos e rugas que não agregam likes nas redes.

Por isso, saiba investir. Comprometer-se a amar alguém por longo prazo é uma aposta alta. Amor é um processo e não um simples substantivo. Deveria sempre ser utilizado na forma verbal, ou seja, amar, pois é ação, movimento, envolvimento. Um padre me ensinou certa vez que amar é morrer para que o outro viva. É morrer nas minhas vontades. É esvaziar-se de si para doar a outrem. É ceder. É dar espaço ao outro. É ir na contra mão do egoísmo que vivemos. É cuidar. É fazer o outro feliz, e ser feliz pelo sorriso dele. Parece absurdo? Parece louco me doar a alguém? Me anular? Onde já se viu isso? Eu te digo...

Quem não conhece o Amor Maior não é capaz de amar verdadeiramente. Não é capaz de levar o amor as últimas consequências. Eu compreendi o amor ao olhar para a cruz, quando vi que Ele, senhor do mundo, criador de céus e terra, entregou seu Filho para me salvar. Esse é o exemplo que tenho de amor. E você?

Mas para ser capaz de amar, eu preciso investir. Investir antes em mim. Antes de me por a buscar, eu preciso, como bom acionista fazer cálculos, consultar especialistas. Investir em ações não é um jogo de azar, requer envolvimento, experiência, estudo, ousadia e um pouquinho de sorte. É necessário que nesse tempo onde Deus ainda não te enviou um par, que você se ponha a crescer, se ponha num tempo de esperas frutífero, invista em se conhecer, a saber o que procura. Aqui não há sorte, há oração. Aqui há abandono a vontade do Pai. Deposite seus sonhos em quem realmente pode realizá-los. Viva a castidade, compreenda a beleza de vivê-la. Prepare teu coração para que não se entregue a qualquer migalha de amor. Guarda-te para o amor que te conduzirá ao céu. Espere por aquele que zelará pelo teu templo. Aguarde aquela que te ajudará a viver um namoro santo.

Tendo teus pés firmes em Deus, quando o amor chegar, você saberá, como bom investidor que o amor atual ainda estará em alta daqui a 20 ou 30 anos quando vocês se tornarem pessoas diferentes...

Amar, além de ser um sentimento, é uma construção, é investimento contínuo.  Dia a dia, hora a hora acreditando que vai dar certo e trabalhando para adaptá-lo, reorientá-lo e transformá-lo naquilo que os dois conseguirem fazer juntos, com  defeitos e qualidades, ganhos e perdas, mas uma relação única, singular. Dois amantes que se transformam também em sócios, parceiros e cúmplices, e apostam todas suas fichas no desafio de viver um namoro que se torne sacramento tão breve.

‘Mantém o teu coração firme e sê constante (…), e não te afobes no tempo da contrariedade. Suporta as demoras de Deus, agarra-te a Ele e não o largues, para que sejas sábio em teus caminhos. Tudo o que acontecer, aceita-o, e sê constante na dor; na tua humilhação tem paciência, pois é no fogo que o ouro e a prata são provados e, no cadinho da humilhação, os que são agradáveis a Deus’
(Eclo 2, 1-6)

Eis o segredo da perseverança e da vivência das demoras de Deus: permanecer firme e constante na oração, estar agarrado a Deus! Esse é o segredo! Para que saibas investir. Para que entenda que é a longo prazo.

Que a gente não canse, ou se cansar, encontre forças para continuar, restaure as forças.

Que a gente não desista antes de ver o sonho de Deus se realizar.

Que a gente tenha paciência nessa espera.

Que a gente aprenda a torna frutífero esse tempo de investimento.

Que em breve, você encontre alguém para partilhar da beleza de um amor casto.