quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Conhecendo o MOB - Parte I



1 - Aprender o MOB
Aprender o MOB é muito fácil. Bastará tão somente que a mulher saiba dialogar com o seu próprio corpo, ficando sempre atenta aos sinais de que ele emite através da visão do muco e da sensação de secura ou umidade na vulva que este produz.
Uma dica para facilitar esse diálogo é a mulher  perguntar-se sempre:
-       Como sinto minha vulva agora?
O corpo emite sinais claros no tempo que antecede a ovulação, permitindo a mulher sentir-se segura na sua observação. No entanto, algumas mulheres sentem-se ansiosas ao iniciar o método, porque temem não conseguirem ter percepção alguma. Um exemplo fácil a ser aplicado neste caso, é o início da menstruação, a vulva neste período não está seca, a sensação que a mulher refere é de molhada ou de algo pegajoso e o sangue é visível, mas cabe salietar que a sensação da vulva molhada antecede  a visualização do sangue. A sensação na vulva é o evento  mais importante, garantindo o aprendizado a todas as mulheres, inclusive as deficientes visuais.

2 - Materiais Necessários
-    Caneta ou lápis de cor.
-    Papel para registro do gráfico.
-    Suas observações.

3 - Como realizar as observações
As observações são realizadas ao longo do dia, durante as atividades habituais: trabalhar, andar, praticar exercícios. Na posição em pé e com a movimentação do corpo, o muco cervical deixa o canal vaginal, alterando a sensação na vulva, porém é importante lembrar que nem sempre o muco é visível.  A mulher identifica a sensação na vulva e posteriormente realiza a inspeção do muco se possível. Não devem ser realizados exames internos, já que a  vagina é sempre molhada e essa atitude pode ocasionar confusão. O muco deve ser  visualizado  naturalmente, na roupa íntima, ao higienizar-se e/ou durante as eliminações fisiológicas.
A mulher se mantém em sintonia com seu corpo, tornando-se automático e harmônico memorizar as mudaças que ocorrem, para posteriormente anotá-las.

 4 - Registro do gráfico
Um registro diário é essencial no MOB, pois facilita o reconhecimento  dos sinais da fertilidade, tornando a mulher apta e segura.
As anotações das observações são realizadas a noite, já que a sensação na vulva pode ser alterada ao longo do dia.
Foi desenvolvido um registro padrão de cores ou símbolos para recordação das observações. Manter as anotações destas torna-se rapidamente algo natural.
O registro é muito simples, requer apenas que pinte ou marque  no gráfico, a cor ou símbolo apropriado, depois escreva duas ou três palavras que descrevam a sensação produzida pelo muco e sua aparência. O importante é anotar sempre a mesma palavra para descrever a mesma sensação e aparência, estas possibilitam informações precisas do ciclo. 
A medida que passam os dias, a mulher familiariza-se com suas anotações. O seu padrão de muco e as sensações que estes produzem em ciclos normais, começam a ser identificados. Caso exista alguma alteração no ciclo, como retardo ou adiantamento da ovulação, rapidamente esta também já pode ser reconhecida. As alterações no ciclo mais comuns são por: estresse, amamentação, pré-menopausa e interrupção da medicação hormonal.

5 - Quando iniciar o registro
Muitas mulheres acreditam que o primeiro registro deve acontecer no primeiro dia da menstruação, esta é uma prática equivocada e sem necessidade. O primeiro registro se inicia imediatamente após a aprendizagem (ítem 6), e sua duração para avaliação é usualmente de duas a quatro semanas. Neste período orienta-se a mulher ou o casal a abster-se de todo contato genital, chamado de silêncio genital, desta forma as observações não são prejudicadas pela secreção proveniente da relação e contato genital, que podem retardar o aprendizado.
A partir deste período, informações valiosas do ciclo menstrual serão identificadas, permitindo o reconhecimento de quando se está potencialmente fértil e quando se está infértil.
A familiarização com as observacões, anotações e a consulta com um instrutor licenciado, tornarão a mulher mais segura.

6 - Observações na vulva
Sensação – esta é a observação mais importante.
Toda mulher experimenta alguma sensacão na vulva. O muco cervical necessariamente produz uma sensação ao deixar o canal vaginal, que ao longo do dia, nas atividades diárias, a mulher o observa, ou pode ser treinada a observar. Esta pode ser de secura (nenhuma sensação) ou de molhada.

Os termos habitualmente utilizados são:
-       Seca – nenhuma sensação
-       Molhada – esta sensação é  variável, de acordo com o momento do ciclo menstrual. Existem duas  sensações experiementadas específicas, a mulher não se sente seca, descrita como algo pegajoso, molhada/pegajosa, e a sensação de algo que molha, descrita como algo que é escorregadio na vulva, molhada/lubrificada ou molhada/escorregadia.

Aparência – Ao sentir a presença do muco e se possível observação visual. Os termos habitualmente utilizados são:
-       Cor - opaco, turvo, claro, transparente, borra(quando está manchado de sangue), presença de fios.
-       Fluidez -   espesso, grosso, aquoso, fino
-       Quantidade – pouca, média e grande.

O fator quantidade é muito variável, pois é dependente da produção de muco de cada mulher.
A mulher não deve se apegar a essas descrições, pois são somente sugestões. Utilizar suas próprias palavras a cerca das sensações e aparência do muco, podem facilitar a observação, aprendizado e segurança, que posteriormente serão utilizadas no registro.
A descrição não precisa ter sentido para outras pessoas, simplesmente devem ser anotadas e posteriormente explicadas para uma instrutora qualificada.
Cabe relatar, que muitas mulheres, ao receberem as informações básicas do MOB, surpreendem-se nas anotações iniciais, pelas diferentes sensações observadas e de como o diálogo com seu corpo é verdadeiro.

[Continua...]


sábado, 17 de outubro de 2015

O que tem de bacana no Método Billings?



Então, vem ver o que tem de bacana?

O reforço da autoestima da própria mulher
  • Ela sabe o que está acontecendo em seu corpo, sabe que pode ter relações prevendo as consequências, dignifica seu corpo. Entende a função reprodutiva, compreende como funciona. Dar luz a estas incógnitas a faz mais dona de si mesma e permite a uma entrega maior a seu marido. Faz com que ele também se aproxime  a maravilhosa engrenagem do funcionamento do corpo do homem e da mulher. Conhecer o ciclo menstrual é chave para conhecer o porque a psicologia da mulher ao longo do mês também é cíclica. É positivo este conhecimento para as mulheres casadas e também para as jovens e adolescentes que tem que aceitar umas mudanças corporais e hormonais vertiginosas.
A responsabilidade compartilhada
  • Tanto o marido como a mulher responde por seus atos. Não estamos frente a um método anticonceptivo que falha ou não falha. São o marido e a mulher, no exercício de sua liberdade, quem toma uma decisão e a desejam cumprir, e entra no possível que, por determinadas circunstâncias, mude essa decisão, sendo eles os únicos responsáveis.
  • A responsabilidade é um exercício profundamente humano vinculado à liberdade, a possibilidade de decidir a cada momento o caminho a escolher.
O autocontrole é uma qualidade
  • Que permite assegurar o bem do outro, preocupar-se com que o outro necessita doar-se quando a ocasião o requer. O controle dos impulsos, em geral, e dos impulsos sexuais em particular favorece o crescimento do amor do casal.
  • “… o que parece a primeira vista mais bem mecânico (o respeito do “tempo  da mulher; que não se refere só aos períodos férteis, senão também  aos múltiplos ritmos da vida e as circunstâncias) e que exige às vezes espera e renuncia, e por tanto “trabalho e sacrifício”, é precisamente o que faz nascer uma espontaneidade distinta: profunda, secreta, permanente”.
Ajuda a descobrir a ternura e a afetividade que encerra a sexualidade
  • O domínio das manifestações genitais sobre outras mostras de afeto leva frequentemente a esquecer da ternura e todos os demais sinais de atenção recíproca.
  • O período de abstinência pode ajudar ao casal a descobrir a ampla gama de manifestações também corpóreas através das quais se podem expressar o amor.
  • Para que exista a ternura é necessário envolver-se com o outro através do espírito, a mente, o coração, o sentimento, as palavras, o gesto, o mesmo dom do corpo.
Desenvolvimento da comunicação
  • A diferença da contracepção em que um ou outro dos membros do casal utiliza um método, aqui os dois se veem levados a falar de sua sexualidade, a expressar o amor de diferente maneira, a comunicar as razões mais profundas que os podem levar a retardar uma gravidez. A utilizar a linguagem do corpo para expressar-se.
Estabilidade conjugal
  • Em última instância o que cresce é o AMOR conjugal. Cada um dos valores de que estamos falando dão suporte para o amor.
  • Quando o homem e a mulher se amam, se respeitam, expressam o amor em toda sua riqueza nos diferentes momentos do ciclo. Usam as próprias energias na pessoa amada, requer tempo e muitos pequenos detalhes cotidianos que entrelaçam a construção do verdadeiro amor porem de tudo isto emana paz e serenidade no lar.
  • Os Filhos, os parentes, a sociedade  percebem essa harmonia.
Respeito à vida
  • Compreender o milagre da vida é o início ao respeito à vida nascente.
  • Constata-se como muitos casais que tinham inúmeras razões para evitar uma gravidez, depois de alguns meses de aprendizagem abrem suas portas a um novo filho porque  redimensionaram sua vida, perderam o medo à vida porque agora sabem como ocorre, porque melhoraram em sua harmonia conjugal, enriqueceram sua afetividade.
  • Não poderíamos falar da regulação natural da fertilidade sem falar do respeito à vida e as fontes da vida.
Fontes: http://www.cenplafam.com/portal/metodo-natural/

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

O sexo como dom e presente de Deus


Estamos vivendo uma cultura de sensualidade e permissivismo, onde Deus é excluído e as pessoas fazem o que bem entendem, sem tomar consciência das consequências e da destruição que estão causando ao mundo, às famílias e ao ser humano. É uma cultura que “ataca” estritamente os jovens, aqueles que deverão formar e gerar as futuras famílias.
O sexo antes do casamento já se tornou hábito nos relacionamentos, algo “normal” para muitos casais. Mas não só hábito, muitos casais utilizam mal e abusam desse grande dom que Deus nos concedeu, sem olhar para o mistério divino que nele existe. Utilizando-me da Teologia do Corpo, de São João Paulo II, espero transmitir o belo mistério divino que existe no ato sexual. O sexo é um presente de Deus que não se pode abrir antes da data especial.
O amor é o porquê do sexo só depois do casamento. Quando a Igreja ensina que os casais devem ter relações sexuais somente depois do matrimônio, é porque ela quer proteger o amor. O sexo, principalmente na adolescência, pode ser uma forte máscara para um falso amor. Será que realmente é amor fazer sexo antes do casamento ou é somente um pretexto para satisfazer os meus desejos e impulsos sexuais? Amar não é somente fazer sexo, mas doar-se nas pequenas coisas; o sexo é uma consequência do amor que quer se multiplicar, procriar e gerar vida.
A disposição para amar o outro não deve ser a relação sexual, mas a entrega total, diária e recíproca ao outro em Deus. Amar vem primeiro, sexo vem depois (matrimônio) e sempre ligado ao amor. É isso que a Igreja, com o seus ensinamentos, quer transmitir, é a proposta que a Igreja faz aos jovens.
Então, por que falar do sexo como um presente? Bem, o Youcat nos diz que “uma pessoa não pode doar nada maior à outra do que a si mesma”. São João Paulo II, quando fala do corpo como “sacramento”, quer dizer que “se trata de um sinal que torna visível o mistério invisível de Deus”. Portanto, a entrega do corpo à outra pessoa expressa totalmente uma autoentrega, ou seja, ela se entrega como presente especial.
No relacionamento rumo ao matrimônio, existem etapas que o casal deve seguir, e não as pode queimar. Não podem estragar a surpresa da entrega do presente. O namoro não é tempo de conhecer o corpo da outra pessoa, mas de conhecer a alma. É tempo de pensar em casar e não viver como “casado”. Mais adiante vem o noivado, um tempo de querer firmar um compromisso sério, de querer casar. A outra etapa é o sacramento do matrimônio, tempo de unir-se inteiramente à outra pessoa perante Deus e a Igreja, ser uma só carne.
“a relação sexual tem uma linguagem que proclama: ‘Eu sou totalmente teu até a morte. Eu te pertenço e tu me pertences até que a morte nos separe'”
Um dia, perguntaram a um estudante por que ele ainda não tinha estado na cama com uma jovem. Ele respondeu: “Ainda não sei com quem um dia casarei. Mas não quero trair já, neste momento, a minha futura esposa”. Veja a expressão de amor que esse estudante nos transmite: ele ama sua futura esposa mesmo sem ainda a conhecer; por isso, busca ser fiel desde já. Muitas coisas acontecem sem discernimento e sem espera; muitos jovens vivem infelizes ou enganados em seus relacionamentos.
A relação sexual não é divina, mas sinal do mistério divino da Trindade. É interessante e, ao mesmo tempo, muito belo quando São João Paulo II fala da sacramentalidade do corpo, na qual se expressa, também, no ato conjugal dos casais: “Nos sacramentos, o espírito e a matéria ‘beijam-se’. O Céu e a Terra abraçam-se numa união que nunca chegará ao fim”. Assim também acontece na relação entre o homem e a mulher que se entregam, sua alma e corpo se “beijam” numa união tão profunda que nunca chegará ao fim. Por isso, a relação sexual é um momento sagrado; e fazê-la antes do casamento é violar a sacralidade do grande mistério desse ato de entrega.
Por fim, a relação sexual tem uma “linguagem” que proclama: “Eu sou totalmente teu até a morte. Eu te pertenço e tu me pertences até que a morte nos separe”. Isso é declarar um amor forte como a morte, é alcançar o auge do verdadeiro amor pela outra pessoa. Esperar pelo sexo depois do casamento é expressão de respeito, amor e humildade; é a verdadeira prova de amor. Jovens, lutem pelo que permanece e não pelo que se esvazia em algumas horas de prazer antes do casamento.
Texto originalmente postado em: http://destrave.cancaonova.com/o-sexo-como-dom-e-presente-de-deus/

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Planejamento Familiar Natural

A vontade de limitar o número dos filhos provém de um fato concreto ou de desejos egoístas? Como a Igreja lida com os casais que querem limitar o número dos filhos? Padre Paulo Ricardo explica por que a Igreja condena os métodos contraceptivos, inclusive a camisinha, e indica o MOB - Método de Ovulação Billings. 



Planejamento Natural da Família é uma opção de vida. É a busca de algo que transforme, que vivifique, que dê sentido e razão. O método natural se plenifica no contexto de vida que o acolhe. Decorre da descoberta e valorização de uma individualidade verdadeira, de uma sexualidade plena, de uma abertura ao outro, de uma abertura à geração responsável de nova vida e sua acolhida generosa e feliz.

Este conjunto constitui uma nova e forte e encarnada espiritualidade do amor conjugal e da família. O Deus da Vida está presente e ativamente neste contexto, inspirando, alimentando com a sua graça, dando forças para que as pessoas possam cumprir com alegria a sua missão. Planejamento Natural da Família é uma opção de vida e de vivência do Amor em família.

O Método da Ovulação Billings é uma presente de Deus para a vida da Mulher! E este presente foi dado pelas mãos do casal Billings, médicos que juntamente com a sua equipe de colegas organizaram uma metodologia que pudesse permitir as mulheres identificar os seus sinais e sintomas de fertilidade. 

A mulher que deseja utilizar o Método de Ovulação Billings é instruída a ficar atenta, durante todo o dia, às mudanças no seu corpo. E a partir de suas observações anotar num gráfico, usando as suas próprias palavras para descrever as observações, as sensações e o que acha necessário para o seu bom entendimento dos seus períodos. Importante ressaltar que é indispensável o acompanhamento de um instrutor qualificado, o qual recebe um treinamento de 40 horas/aula, mais um estágio supervisionado de, no mínimo, seis meses, apresentando três estudos de caso para que seja reconhecido e qualificado para tal acompanhamento.

O que o Método de Ovulação Billings requer, para seu sucesso, é o autoconhecimento, o diálogo e a unidade do casal. Sua eficácia depende dessas condições.
Outro aspecto interessante: Casais que seguem o Método Billings testemunham que cresceram nesses três aspectos: conhecem-se mais, dialogam, inclusive sobre seus corpos, e assim vivem uma bela unidade. Longe de afastar o casal, o MOB desperta o namoro entre os cônjuges, sobretudo na pequena fase mensal em que a mulher está fértil e, porque o casal resolveu, em unidade, espaçar gravidezes.

Cegar as fontes da vida é um crime contra os dons que Deus concedeu à humanidade e uma manifestação de que a conduta se inspira no egoísmo, não no amor




“ESTE MÉTODO NÃO SERVE ONDE NÃO EXISTE O AMOR”
Drª Evelyn Billings


Fontes: https://padrepauloricardo.org/episodios/camisinha-e-metodo-billings
        http://www.cenplafam.com/portal/metodo-natural/

sábado, 15 de agosto de 2015

Qual a diferença entre assistir e viver?
  
   Nos tempos atuais a Santa Mãe Igreja sofre com um sério problema, a superficialidade da fé católica, isso tem atormentado á muitos anos os líderes, fazendo desse tema, um grande alerta que poucos escutam atentamente com o desejo de buscar um algo a mais. Entramos em um tempo que já está bom de mais sair da minha casa no domingo e assistir a Santa Missa em minha paróquia, pronto, o meu esforço já foi feito para Deus essa semana, sou católico!
   A Santa Missa é o ápice da fé católica, e ela não deve ser negligenciada com abusos litúrgicos, nós como católicos devemos saber como se comportar diante do calvário que está bem na nossa frente. Mas a maioria dos nossos irmão não possuem essa consciência da preservação e do respeito á liturgia. É claro que devemos alertar de forma cuidadosa os nossos irmãos, sempre explicando o porque de cada ato realizado. Mas quem somos nós para exortar alguém ? Alguém que respeita os costumes de certa região e que aos poucos pode alertar com cuidado e amor, um caminho mais correto de se viver.
   Daí começamos a perceber a diferença entre assistir e viver, para assistir temos muitas outras coisas como os teatros e a própria televisão, mas a fé merece ser vivida com amor e alegria, não podemos viver um Deus apenas no domingo e os outros dias servirem para postar nas redes sociais mensagens belas e correntes que não possuem nenhum embasamento na fé que professamos. A igreja católica precisa de fieis não pelo dinheiro, não pela classe social, muito menos pela cor da pele e qualquer outra coisa, o tipo de fiel que a igreja católica necessita, são de homens e mulheres dispostos a largar os lugares de telespectadores e começarem a participar da fé com verdade, homens e mulheres capazes de negar a carne, mas saber explicar o porque da negação ao desejo, saber negar o luxo, a ostentação e lembrar dos mais pobres que sofrem nas portas dos templos.
   Católicos que são capazes de aplaudir o Papa Francisco, de achar bonito o seu trabalho e seu testemunho, juntamente com as suas propostas e ideias, mas de não aplicarem aquilo que admiram no líder em suas vidas, pois quando falamos de dinheiro a cara muda, o discurso foge, o rosto vira, porque não deixar de jantar em um lugar sofisticado uma vez por semana, comer do mais simples e pegar esse dinheiro “economizado” e dá de comer para o mais pobre, se não tem o dinheiro isso não é problema, dê a sua atenção, pois a cena mais comum nos tempos de hoje são homens e mulheres que entram na igreja, sem olhar para  doente que estende a mão logo na porta de entrada.

   Viver o todo, não basta viver apenas a parte que convém, ou nos decidimos a sair da mesmice de apenas um dia na semana, ou continuaremos a viver uma fé de faixada, que é muito bom para a família, para os amigos, lindo para o face, mas que não é capaz de mudar nada em sua vida. Muitos querem sentir algo novo experimentar algo a mais de Deus, e porque não buscar na sua Palavra, na Comunhão construir uma resposta simples e direta, o SIM , um sim verdadeiro e em busca de uma fé vivida, uma fé que saia do superficial e que mergulhe em águas profundas.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Feminilidade


Ao longo dos anos, a mulher tem lutado para ter seu espaço na sociedade. Muitas destas lutas vieram dos movimentos feministas que assumiram diversas bandeiras no correr da história. A primeira expressão de reivindicações surgiu quase que de forma simultânea na França, no Reino Unido e nos Estados Unidos, entre os séculos XIX e XX, com as “sufragistas”, movimento que defendia o direito de voto das mulheres.
Ainda nesta primeira onda, o feminismo propõe um certo antagonismo ao homem e à sociedade patriarcal. Começa a surgir uma rivalidade entre os sexos, quando a identidade de um passa a ser perigo para o outro. O feminismo começa, então, a assumir uma relação de poder entre os sexos¹.
Somos uma juventude que colhe os frutos amargos do feminismo. A origem desse movimento era positiva: alcançar os direitos da mulher. Qual problema da mulher ser bem remunerada, ter o direito de votar e conquistar seu espaço na sociedade? Nenhum! Afinal homem e mulher têm a mesma dignidade perante Deus, pois ambos foram criados à sua imagem e semelhança.

O problema está na forma como esse movimento foi alcançando tais resultados. Um movimento que poderia construir uma sociedade mais justa e fraterna foi criando uma rivalidade entre o homem e a mulher. A mulher para conquistar seu espaço foi agredindo a dignidade do homem e se agredindo na medida em que ia assumindo uma postura e comportamento contrários a sua missão inicial, em sua criação!²

Desta forma, nos lembra o Cardeal Joseph Ratzinger:

“Qualquer perspectiva que pretenda se propor como luta dos sexos, não passa de uma ilusão e perigo, pois desembocaria em situações de segregação e de competição entre homens e mulheres, promovendo um solipsismo que se nutre de uma falsa concepção da liberdade.”

Hoje em dia as mulheres não se preocupam em ser femininas, e sim feministas. Se uma mulher tem pensamentos diferentes do feminismo e quer viver sua vida dentro dos ensinamentos bíblicos, ela acaba sendo encarada como um ET. A sociedade hoje incentiva a mulher a competir com o homem e a ser independente. Além dos exageros com a imagem e ao incentivo a sensualidade, a sociedade se condicionou a viver em um duelo Homem X Mulher. 

É preciso resgatar, acima de tudo, o valor da mulher como portadora da imagem de Deus (Gn 1, 26) e o papel dela no contexto da criação: ajudar o homem a sair de uma condição da qual era impossível ele sair sozinho – sua solidão existencial.

“O feminismo foi criando na mulher uma autossuficiência, como se ela não precisasse do homem nem para ter filhos; mas nós sabemos que a grande desgraça da autossuficiência é que ela fecha a pessoa para o amor”, diz Emmir Nogueira, formadora geral da Comunidade Shalom.

A feminilidade é uma realidade projetada e criada por Deus - seu dom precioso a toda mulher - e, sob um aspecto diferente, um gracioso presente também para os homens. Nem o homem nem a mulher são suficientes para abrigar, sozinhos, a imagem divina (Gn 1, 27). Os dois juntos, no entanto representam a imagem de Deus. Ao criar a mulher Deus se preocupou em fazê-la especial e complementar ao homem e, para isso, concedeu a ela o dom da feminilidade.

A submissão é o ingrediente da feminilidade. Mas não me venha jogar pedras! Compreenda o sentido dessa submissão... Como noiva, a mulher no casamento abre mão da sua independência, sou convidada a me doar, a não ser mais egoísta, mas a caminhar em dupla. Não tomar mais decisões pautadas apenas nas minhas vontades, mas a pensar no meu par, naquele que um dia eu disse pra mim mesma que era o cara digno de passar o resto dos dias ao meu lado. Sou convidada ainda a acrescentar um sobrenome, a mudar o meu endereço, e, por ultimo no quarto nupcial, abro o meu corpo para o noivo. Como mãe, eu abro mão, no real sentido, da própria vida em beneficio do filho. Não é uma submissão que me desmerece! Não! Eu possuo um valor incrível quando aprendo a desfazer de mim para amar o outro. Foi o que Jesus me ensinou, do alto da cruz...

A feminilidade é receptiva. Ela aceita o que Deus lhe dá, seguindo o exemplo de Maria (Lc 1, 38), e não insistir no que não lhes é dado, repetindo o engano de Eva (Gn 3, 1-6). A missão da mulher é afetar a sociedade por meio da influência da família. Sabe, ser feminina não é apenas o que somos, também é o que fazemos. Nossa identidade feminina vem com uma tarefa singular: mudar o mundo. Mudar o mundo através dos nossos filhos ou daqueles que Deus colocar em nosso caminho. Somos chamadas a educar, a amar, com brandura corrigir, orientar. Passar valores. Mostrar aos que nos cercam com a docilidade que nos é típica os caminhos para uma sociedade justa e caridosa.

Ensina o Papa São João Paulo II: "Quando dizemos que a mulher é aquela que recebe amor para, por sua vez, amar, não entendemos só ou antes de tudo a relação esponsal específica do matrimônio. Entendemos algo mais universal, fundado no próprio fato de ser mulher no conjunto das relações interpessoais, que nas formas mais diversas estruturam a convivência e a colaboração entre as pessoas, homens e mulheres. Neste contexto, amplo e diversificado, a mulher representa um valor particular como pessoa humana e, ao mesmo tempo, como pessoa concreta, pelo fato da sua feminilidade. Isto se refere a todas as mulheres e a cada uma delas, independentemente do contexto cultural em que cada uma se encontra e das suas características espirituais, psíquicas e corporais, como, por exemplo, a idade, a instrução, a saúde, o trabalho, o fato de ser casada ou solteira." (Mulieris Dignitatem, 29)

O desafio da feminilidade é que você seja uma mulher realmente santa. A feminilidade é característica da alma feminina, que faz parte do projeto de Deus. É um tesouro a ser guardado e acalentado a cada dia. 


Que Maria, exemplo maior de mulher, nos ensine a verdadeira feminilidade. Que possamos, como ela, sermos fortes e capazes de mudar a história, com docilidade, brandura e amor infinito.


Texto baseado em:
1 - O feminismo e a luta dos sexos [http://destrave.cancaonova.com/o-feminismo-e-a-luta-dos-sexos/]
2- Você sabe o que é Feminismo? [http://blog.cancaonova.com/revolucaojesus/2012/01/23/voce-sabe-o-que-e-feminismo/]

sábado, 1 de agosto de 2015

Um Deus que se senta e espera para tomar café


   


  Nos últimos tempos estamos desenhando uma imagem de Deus que tem que ser clamado muitas vezes para ser presente, um Deus teimoso onde devemos ir ao templo várias vezes para atender as nossas preces, um Deus não com problema de memória[1] e sim com problema de audição.
   Essa imagem a cada dia mais é reafirmada pela nossa forma de fé, onde procuramos respostas imediatas para os nossos conflitos, sem saber esperar o tempo de Deus. O nosso Deus não é um juiz de futebol que  é capaz de mudar sua opinião através do grito, é capaz de mudar a opinião com uma indagação, como fez aquela mulher que tinha sua filha para ser curada[2] ...
   E a cada dia que passa, associamos a figura de Deus ao templo, é óbvio que ele está no templo, mas é tão claro a sua presença em uma mesa onde se espera um café, por que não estaria sentado tomando um café? Acha mesmo que ele prefere roupas de gala e um trono confortável, um Deus que se acostumou com a Cruz, a cruz das nossas incertezas por ele.  Apenas se senta para estar e dar algumas direções, com um olhar sempre mais amplo que no nosso, sempre no necessário, sempre para o outro.
   A imagem de um Deus belo por fisionomia, pode até ser retratada muitas vezes com o nosso padrão de beleza estabelecido, mas qual era a cor da pele dos olhos de Jesus? Da mesma cor daquele que recebe seu consolo, pois ele se senta conosco todos os dias para apreciar um bom café, ele até nos acorda: -Anda meu filho, hora do trabalho.... Hora de estudar menino, apronta o café para tomarmos juntos, para celebrar mais um dia comigo.
   Muitas vezes ele espera até o jantar, mas ninguém o percebe, nem na hora do café, pois ninguém o serviu. O que temos deixado para Jesus: uma xícara limpa e um café pronto, ou o resto do pó a espera que ele lave toda a sujeira ?
Cappuccino ou Expresso ?




[1] Capítulo do livro Só por causa de um cabrito (Um Deus com problema de memória).
[2] Cura da filha de uma mulher cananeia, Mt 15,21-28